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Ibovespa fecha em baixa com riscos locais minando impulso externo

21/06/2022 17h45

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com queda discreta nesta terça-feira, sem fôlego para acompanhar a trajetória positiva de Wall St e enfraquecido por preocupações com riscos domésticos. Banco do Brasil caiu mais de 4%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,17%, a 99.684,50 pontos. Na máxima, mais cedo, chegou a subir a 101.068,71 pontos. No pior momento, à tarde, atingiu 99.166,54 pontos. O volume financeiro na bolsa somou 22,7 bilhões de reais.

Na visão do especialista em renda variável da Blue3 Victor Hugo Israel, a bolsa está refletindo ruídos políticos, que acabam afetado particularmente papéis de estatais, como de BB e Petrobras, mas também adicionam volatilidade a outras ações.

"É um risco bem doméstico", afirmou, chamando a atenção para a trajetória positiva nos pregões nos Estados Unidos e Europa. Em Nova York, o S&P 500 subiu 2,4%.

Um dos principais focos de atenção está voltado para a Petrobras, com escalada da pressão política sobre a companhia, após reajuste dos combustíveis na semana passada e renúncia de presidente na véspera.

De acordo com o coordenador do departamento econômico do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, segue a atenção a movimentos do Congresso em torno da abertura de uma CPI sobre a Petrobras, bem como discussões sobre mudanças na política de preços da estatal.

As diretrizes do programa de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - que lidera pesquisas sobre a corrida presidencial - também repercutiam, uma vez que defendem a revogação do teto de gastos e a não privatização de estatais.

O plano petista divulgado nesta sessão também fala em "transição" da atual política de preços dos combustíveis da Petrobras e fortalecimento de bancos públicos para fomentar o desenvolvimento econômico e social e a oferta de crédito.

Xavier ainda chamou a atenção para a sinalização do Banco Central de que está disposto a manter os juros elevado por mais tempo para a inflação convergir para "ao redor" das metas inflacionárias no horizonte relevante.

Na ata da reunião da semana passada, quando elevou a Selic a 13,25%, o BC também reforçou que pretende fazer novo ajuste igual ou menor que 0,5 ponto percentual em agosto.

"Tanto os ruídos políticos de curto prazo como os fatores macroeconômicos explicam esta performance relativamente adversa" na bolsa paulista nesta tarde, afirmou o economista.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN caiu 1,99%, com as atenções voltadas para o debate em Brasília sobre o que será feito em relação aos preços dos combustíveis, e os potenciais reflexos na companhia. O Bradesco BBI afirmou que o ruído nunca foi tão alto para a Petrobras. "Infelizmente, devemos esperar e ver quais medidas concretas serão tomadas, se ocorrerem."

- BANCO DO BRASIL ON recuou 4,10%, na esteira de preocupações políticas. No setor, BRADESCO PN fechou com decréscimo de 0,87% e ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,06%, após altas expressivas na véspera. O BTG Pactual afirmou em relatório que espera resultados decentes para Itaú e Bradesco no segundo trimestre.

- VALE ON subiu 0,66%, conforme o preço do minério de ferro se recuperou em Cingapura, embora tenha permanecido sob pressão em Dalian, na China.

- WEG ON valorizou-se 4,98%, no segundo pregão entre as maiores altas do Ibovespa. Em relatório nesta semana o BTG Pactual recomendou compra dos papéis avaliando que, após uma queda relevante desde o começo do ano, o nível de preço da ação oferece ponto de entrada.

- MAGAZINE LUIZA ON perdeu 2,71%, voltando para a ponta negativa do Ibovespa após o repique na véspera, quando fechou em alta de 8,4%. No setor, VIA ON cedeu 1,33%, mas AMERICANAS ON subiu 0,38%. Em Nova York, MERCADO LIVRE avançou 3,38%.