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Dólar devolve perdas e retoma R$5,50 com cautela externa

22/07/2022 15h31

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar anulou perdas acentuadas vistas mais cedo e voltou a superar a marca de 5,50 reais na tarde desta sexta-feira, acompanhando piora no sentimento internacional em meio a temores crescentes de desaceleração econômica.

Às 15:17 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,09%, a 5,5015 reais na venda. Mais cedo, chegou a cair 1,11%, a 5,4357 reais, movimento que operadores atribuíram a uma realização de lucros pontual após a moeda fechar a última sessão em seu maior patamar em seis meses, próximo de 5,50 reais.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha variação positiva de 0,03%, a 5,5110 reais.

A maioria dos mercados internacionais repercutia negativamente nesta sessão dados mais fracos do que o esperado sobre a atividade empresarial de grandes economias, como Estados Unidos e zona do euro, enquanto aguardava com cautela o próximo encontro de política monetária do banco central norte-americano, o Federal Reserve, cujo desfecho está previsto para a próxima quarta-feira.

O Fed já elevou os custos dos empréstimos dos EUA em 1,50 ponto percentual desde março deste ano e deve dar sequência a seu aperto monetário agressivo na semana que vem, nos dias 26 e 27, promovendo nova alta de juros de 0,75 ponto.

Além de tornar o dólar globalmente mais interessante, por atrair recursos para o mercado de renda fixa norte-americano, uma taxa de juros mais alta nos EUA tem alimentado riscos de uma recessão, já que tende a frear os gastos de empresas e famílias. Isso tem elevado a aversão a risco de investidores e penalizado moedas emergentes nas últimas semanas, entre elas o real.

Com o desempenho observado nesta tarde, o dólar à vista ficava a valorização de apenas 1,3% de zerar suas perdas contra o real no acumulado de 2022.

Um movimento recente de depreciação da moeda brasileira é majoritariamente explicado pelo exterior adverso, "mas o cenário doméstico é a cerejinha do bolo", disse Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original, citando a deterioração da credibilidade fiscal do Brasil na esteira de medidas do governo para ampliar e criar benefícios sociais.

(Por Luana Maria Benedito)