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Recuo do dólar não afeta preços de passagens aéreas, diz Azul

15/05/2023 15h45

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - A Azul não vê redução nos preços das passagens aéreas com a queda recente do dólar frente ao real, afirmou Abhi Manoj Shah, diretor de receitas da companhia aérea, nesta segunda-feira, citando o ambiente atual da indústria de aviação com capacidade "muito disciplinada"

"Se a capacidade continuar disciplinada, isso (queda do dólar) não deve afetar preços", disse o executivo em teleconferência sobre o balanço do primeiro trimestre, acrescentando que não enxerga "muita capacidade chegando" ao mercado.

Em 2023, o dólar acumula uma queda de 6,74% frente ao real, considerando a cotação do fechamento de sexta-feira, de 4,9223 reais para venda. O preço médio das passagens da Azul no primeiro trimestre foi de 590,8 reais, frente a 449,1 reais no mesmo período de 2022.

A Azul publicou pela manhã uma redução de 10% no prejuízo líquido ajustado nos primeiros três meses deste ano, de 727,6 milhões de reais, em comparação a igual etapa do ano passado. Além disso, a companhia aérea anunciou projeções, incluindo de aumentar a capacidade em 14% em 2023, e novos detalhes dos acordos financeiros com arrendadores e fabricantes.

Às 15:09 (de Brasília), as ações da Azul caíam 2,88%, a 12,49 reais, enquanto o Ibovespa subia 0,38%.

Para Stephen Trent e Filipe Nielsen, analistas do Citi, "embora esses resultados pareçam fundamentalmente sólidos" alguns investidores podem reagir com preocupação à potencial diluição com o instrumento de conversão de dívida em ação presente no acordo com fabricantes de motores e arrendadores.

A Azul divulgou nesta manhã que conseguiu a eliminação de certas obrigações, que reduzirão os pagamentos de arrendamentos em 5,4 bilhões de reais a partir do segundo trimestre. Em troca, a empresa ofereceu um título de dívida sem garantia com vencimento em 2030 e cupom de 7,5% ao ano, e um instrumento conversível em ações preferenciais no valor de 36 reais por ação. A diluição decorrente é estimada em 17,5%, segundo a empresa.

Os arrendadores e fabricantes poderão converter a dívida em ações entre o segundo semestre de 2024 e o segundo semestre de 2027. Se, na ocasião, o preço do papel no mercado estiver menor do que 36 reais, tornando o movimento não atrativo, a Azul disse que pode compensar a diferença através de emissão de novas ações, um novo instrumento ou liquidação em dinheiro. A companhia também estabeleceu limites de conversão caso os preços alcancem certos limites de alta.

A expectativa da Azul é fechar os acordos, que estão sendo firmados individualmente, no fim de junho ou início de julho, disse o diretor financeiro da empresa, Alexandre Malfitani, a jornalistas.

Além desse acordo, a Azul mira a negociação de extensão de dívida com atuais detentores de títulos e, posteriormente, um aumento de capital, que pode ter o programa de fidelidade Tudo Azul como garantia, segundo executivos da empresa.

O objetivo do aumento do capital seria construir um colchão de liquidez, para dar mais proteção e segurança à companhia evitando necessidade da empresa recorrer a emissão de novas ações, segundo Malfitani.

Questionado, ele disse que, por este motivo, o valor a ser levantado depende do custo de capital. "Vamos ver o quanto estão querendo cobrar por esse capital. Se o capital for barato, pegamos mais, se for caro, pegamos menos."