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Inflação do Japão permanece acima da meta do BC em abril

19/05/2023 07h30

Por Takahiko Wada e Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) - O núcleo da inflação ao consumidor do Japão ficou bem acima da meta de 2% do banco central em abril e um índice importante que remove os efeitos dos combustíveis atingiu novo pico de quatro décadas, mantendo vivas as expectativas de um ajuste no forte estímulo este ano.

A leitura foi divulgada alguns dias depois que dados mostraram que a terceira maior economia do mundo cresceu mais rápido do que o esperado no primeiro trimestre, em uma recuperação do consumo pós-Covid.

Embora os custos das matérias-primas tenham atingido um pico, um aumento constante nos preços de serviços e alimentos destaca a pressão inflacionária crescente que pode levar o Banco do Japão a revisar para cima a previsão de preços deste ano em julho, dizem analistas.

"O Banco do Japão provavelmente terá pouca escolha a não ser revisar para cima sua previsão de inflação em julho", disse Ryutaro Kono, economista-chefe do BNP Paribas para o Japão. "Com o aumento das expectativas de inflação, a chance de um ajuste na política monetária pode estar aumentando."

O núcleo do índice nacional de preços ao consumidor, que exclui alimentos frescos mas inclui itens de energia, subiu 3,4% em abril em relação ao ano anterior, mostraram dados nesta sexta-feira, em linha com a expectativa do mercado e acelerando ante taxa de 3,1% em março.

A inflação de serviços acelerou para 1,7% em abril, de 1,5% em março, mostraram os dados, sugerindo que o aumento dos custos trabalhistas pode estar começando a alimentar a inflação ao consumidor mais ampla.

Os preços dos alimentos também saltaram 9,0% em abril em relação ao ano anterior, de 8,2% em março.

Um índice que elimina os efeitos de alimentos frescos e combustível - observado de perto pelo Banco do Japão como um termômetro importante das tendências de preços impulsionadas pela demanda doméstica - subiu 4,1% em abril em relação ao ano anterior, marcando o ritmo anual mais rápido desde setembro de 1981.

Com a inflação acima da meta por um ano, os mercados fervilham de especulações de que o Banco do Japão em breve eliminará gradualmente seu forte estímulo massivo que, segundo os críticos, está distorcendo os mercados e prejudicando os lucros das instituições financeiras.