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Powell fica no centro das atenções com aumento de pressão no Fed sobre juros

19/05/2023 08h56

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - Wall Street, pequenas empresas e potenciais compradores de imóveis poderão respirar aliviados se o Federal Reserve decidir não elevar a taxa de juros em sua reunião de política monetária no próximo mês, como muitos operadores e analistas esperam.

Mas autoridades do banco central dos Estados Unidos não estão apenas em dúvida sobre uma pausa em seu ciclo de aperto de 14 meses, eles estão apenas começando a discutir se devem enquadrar essa decisão como uma interrupção prolongada da série agressiva de aumentos de juros ou uma mera "escapada" para dar à economia algum espaço para respirar, com mais aumentos nos custos de empréstimos em breve, se a inflação não cair.

Entre a possibilidade de o Fed elevar os juros em sua reunião de 13 e 14 de junho e a incerteza sobre como as autoridades podem descrever uma decisão de não fazê-lo, não há garantia de clareza em breve de um banco central cujas autoridades estão começando a divergir sobre o que deve acontecer a seguir.

Se há alguma orientação vinda da liderança, isso pode acontecer nesta sexta-feira, quando o chair do Fed, Jerome Powell, falar em um painel de política monetária em uma conferência da equipe do banco central dos EUA em Washington, às 12h (horário de Brasília).

No entanto, até mesmo Powell pode estar limitado sobre até onde ele pode se inclinar neste ponto: é improvável que o Fed aumente a taxa de juros se um impasse político sobre o teto da dívida federal dos EUA permanecer sem solução. Se o resultado for um calote real da dívida dos EUA, o banco central pode até ser empurrado para medidas de emergência para aliviar o fardo na economia.

Mesmo assim, Powell pode trazer nesta sexta-feira alguma definição após mais de um ano de forte consenso em torno da necessidade de aumentar rapidamente a taxa básica de juros a fim de barrar uma disparada de inflação.

Esta semana, algumas autoridades do Fed pediram uma pausa nos aumentos dos juros, outras pressionaram por mais aumentos e, no caso do diretor e indicado a vice-chair do Fed, Philip Jefferson, a escolha por um caminho intermediário citando riscos de ambos os lados sem nenhuma recomendação clara.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, capturou o clima nesta semana, quando disse que, embora estivesse "inclinado" a manter a taxa de juros estável na reunião de junho, mesmo essa decisão não diria muito sobre o futuro.

"Eu diria que era uma pausa, mas uma pausa pode ser uma 'escapada' ou pode ser uma espera", disse Bostic. "Há muita incerteza no mundo. Teremos apenas que ver como as coisas acontecem e ter uma noção do que é sinal verdadeiro e do que é ruído, e isso será uma coisa semana a semana."