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Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale, mas alta de Petrobras atenua perda

23/05/2023 17h05

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com um declínio discreto nesta terça-feira, pressionado pelo recuo das ações da Vale, enquanto outras blue chips como Petrobras e Banco do Brasil figuraram na ponta positiva, que teve ainda como destaque os papéis da Suzano após reajuste nos preços de celulose.

Investidores encerraram as negociações do dia na expectativa de um desfecho envolvendo a data de votação do novo arcabouço fiscal do país na Câmara dos Deputados e sem sinais de avanço nas negociações envolvendo um aumento no teto da dívida do governo norte-americano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,26%, a 109.928,53 pontos, após recuar a 109.713,06 pontos na mínima e avançar a 111.324,7 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro somou 24,2 bilhões de reais.

Na visão do analista-chefe da Levante Corp, Eduardo Rahal, o Ibovespa tem demonstrado certa dificuldade em romper a faixa dos 111.500-112.500 pontos. "O mercado parece aguardar, após uma alta substancial durante o mês de maio, sinais mais convictos com relação ao texto final e aprovação do arcabouço fiscal."

Após reunião na residência oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que conversará com líderes de bancada para definir se o texto será votado já nesta terça ou na quarta-feira no plenário da Casa.

A reunião também contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, além de representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Haddad, por sua vez, afirmou que o primeiro semestre deve chegar ao fim com a Câmara tendo aprovado o arcabouço fiscal e a reforma tributária, enquanto o Senado pode votar pelo menos a nova regra para as contas públicas. Após a reunião, ele disse que há consenso sobre a urgência da aprovação das duas reformas.

Para o especialista em investimentos da Blue3 Investimentos Gabriel Félix, a agenda esvaziada no cenário doméstico no dia reforçou o foco na tramitação do arcabouço fiscal, embora as negociações envolvendo o teto da dívida dos Estados Unidos também tenham ocupado as atenções.

Representantes do presidente Joe Biden e dos republicanos do Congresso encerraram sem sinais de progresso outra rodada de negociações sobre o aumento do teto da dívida de 31,4 trilhões de dólares do governo norte-americano, com o país enfrentando o risco de calote em até nove dias.

Segundo Rahal, investidores estão ansiosos por uma definição sobre o limite da dívida dos EUA, em razão da importância e da sensibilidade da decisão para os mercados globais.

Félix acrescentou que o desempenho do petróleo no exterior ofereceu um relevante suporte ao Ibovespa, mas o dia acabou encerrando com sinal negativo em razão da queda dos futuros do minério de ferro em Dalian, na China, bem como da performance negativa de bolsas no exterior.

Ele, no entanto, considerou o declínio como uma correção, "tecnicamente natural", uma vez que, até a véspera, o Ibovespa fechou em alta em 11 de 13 pregões.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de mais de 1%.

DESTAQUES

- VALE ON caiu 2,26%, a 66,56 reais, em meio a uma nova queda nos contratos futuros do minério de ferro na Ásia após o rali da semana passada, com o aumento do pessimismo sobre as perspectivas de demanda na China.

- PETROBRAS PN avançou 2,46%, a 26,25 reais, ajudada pela alta do petróleo no exterior. O pregão fechou com agentes à espera do resultado de uma reunião em Brasília sobre o impasse envolvendo a exploração de petróleo pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas.

- MAGAZINE LUIZA ON recuou 3,68%, a 3,66 reais, após uma sequência de três altas, período em que acumulou um ganho de mais de 13%. No setor, VIA ON fechou em baixa de 3,52%.

- BANCO DO BRASIL ON fechou em alta de 2,35%, a 44,48 reais, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,8%, a 26,57 reais, e BRADESCO PN valorizou-se 0,82%, a 16,05 reais.

- SUZANO ON avançou 1,51%, a 45,86 reais. A companhia informou na véspera que vai elevar o preço da celulose fibra curta em 30 dólares a tonelada para todos os mercados asiáticos a partir de junho. No setor, KLABIN UNIT cedeu 0,59%.

(Edição de Isabel Versiani)