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Ibovespa fecha em queda com nova correção endossada por NY

24/05/2023 17h05

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, contaminado por Wall Street, em meio a preocupações com a falta de avanços nas negociações envolvendo o teto da dívida norte-americana, enquanto o desfecho envolvendo a votação do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados agradou de modo geral, mas já estava no preço.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,03%, a 108.799,54 pontos, com as ações da Vale mais uma vez entre as maiores pressões negativas, enquanto Petrobras subiu e evitou uma perda maior do índice. No mês, porém, o Ibovespa ainda sobe mais de 4%. O volume financeiro somava 23,1 bilhões de reais.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou no final da terça-feira, por 372 votos favoráveis e 108 contrários, o texto-base da proposta de arcabouço fiscal, após ajustes de última hora feitos no texto pelo relator Cláudio Cajado (PP-BA) para tornar menos generosa a regra de gastos em 2024.

Os deputados ainda analisarão nesta quarta-feira destaques que podem mudar o texto da matéria se aprovados e, após isso, a matéria irá ao Senado.

Para o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal, o a arcabouço fiscal aprovado na terça-feira trouxe boas notícias econômicas, como o ajuste para tornar a regra de gastos em 2024 menos generosa do que a versão anterior da proposta, e políticas, como a votação expressiva a favor do novo marco.

Ele acrescentou que as mudanças no texto tornam o arcabouço mais palatável ao mercado, mas avaliou que elas não eliminam um "pecado capital" da regra que, junto com a vinculação dos gastos de saúde e educação com a receita liquida, é o "ovo da serpente": a retirada do salário-mínimo da limitação do crescimento como proporção da receita.

"A dinâmica do arcabouço, mantidos esses 'problemas' e as metas para os próximos anos, vai levar a uma compressão das despesas discricionárias que o tornará inviável como foi o teto dos gastos", disse, avaliando que o arcabouço resolve as demandas de curto prazo do mercado, "mas 'empurra com a barriga' a solução real dos problemas fiscais no Brasil".

Do ponto de vista político, ele ponderou que a incorporação paulatina das demandas do mercado ao texto final mostrou, mais uma vez, que o Congresso estará refratário às demandas do governo por mais gastos. Mas se isso vai continuar, afirmou, as próximas pautas vão testar.

Investidores estão atentos também às movimentações no Congresso relacionadas à reforma tributária, com o relator do texto afirmando que pretende apresentar dia 6 de junho um relatório com as conclusões do grupo de trabalho para, a partir daí, buscar ajustar uma data para votação do seu parecer diretamente no plenário da Câmara.

Nos Estados Unidos, os negociadores do presidente democrata Joe Biden e do principal republicano do Congresso, Kevin McCarthy, reuniram-se na Casa Branca nesta quarta-feira para tentar fechar um acordo para aumentar o teto da dívida de 31,4 trilhões de dólares e evitar um calote catastrófico.

Biden e McCarthy, o presidente da Câmara dos Deputados, porém, permanecem bastante divididos sobre como seguir adiante.

Nesse contexto, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em baixa de 0,73%, tendo ainda no radar a divulgação da ata da última decisão de política monetária do banco central norte-americano, anunciada após o encontro em 2 e 3 de maio.

O documento mostrou que autoridades do Federal Reserve "concordaram em geral" no mês passado que a necessidade de novos aumentos na taxa de juros "tornou-se menos certa", com várias delas dizendo que o aumento de 0,25 ponto percentual aprovado então poderia ser o último.

Na visão do economista da XP Francisco Nobre, a ata deixou portas abertas sobre as novas decisões, embora com clara intenção de pausa. "Acreditamos que a ata publicada hoje é consistente com nosso cenário base de taxas de juros estáveis até o final do ano e início do ciclo de flexibilização no primeiro trimestre de 2024."

DESTAQUES

- VALE ON recuou 2,27%, a 65,05 reais, com contratos futuros do minério de ferro na Ásia ampliando as perdas em meio a receios sobre a recuperação na China. O vencimento mais negociado na Dalian Commodity Exchange encerrou as negociações diurnas com queda de 4,6%, a 682,50 iuans (98,74 dólares) a tonelada.

- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,56%, a 26,42 reais, enquanto BRADESCO PN, que vem mostrando um desempenho melhor em maio, perdeu 3,05%, a 15,56 reais.

- PETROBRAS PN fechou com acréscimo de 1,52%, a 26,65 reais, em dia de alta dos preços do petróleo no exterior. A companhia disse nesta quarta-feira que vai protocolar, ainda nesta semana, pedido ao Ibama de reconsideração da decisão do órgão que negou licença ambiental para que a estatal perfure um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá.

- BRF ON caiu 5,55%, a 7,32 reais, na terceira sessão seguida com sinal negativo, sendo que na véspera caiu quase 5%. O Brasil declarou na segunda-feira emergência zoosanitária por gripe aviária H5N1 em aves silvestres. Ações do setor de proteínas como um todo foram destaques negativos, com JBS ON perdendo 4,89%, MARFRIG ON cedendo 2,43% e MINERVA ON recuando 4,23%.

- CVC BRASIL ON perdeu 7,57%, a 2,81 reais, em meio a uma nova correção de baixa após um começo de mês mais positivo. No setor de viagens, GOL PN e AZUL PN recuaram 2,69% e 1,61%, respectivamente, também devolvendo parte de fortes ganhos apurados no mês.