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Consignado do Auxílio Brasil e programa Microfinanças estão sendo investigados, diz presidente da Caixa

30/05/2023 21h51

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Programas implementados pela Caixa Econômica Federal durante a administração do governo de Jair Bolsonaro estão sendo objeto de investigação por auditoria interna e órgãos de controle, disse a presidente do banco, Rita Serrano, nesta terça-feira, em seu perfil nas redes sociais.

São alvos de investigação o crédito consignado do Auxílio Brasil e o programa Microfinanças, de microcrédito, ambos agora suspensos, segundo a executiva.

"Tanto o consignado do Auxílio Emergencial quanto o programa de Microfinanças estão sendo alvo de investigações pelos órgãos de controle, fiscalização e auditoria interna", escreveu Serrano.

"A Caixa tem colaborado plenamente, fornecendo todas as informações solicitadas, demonstrando nosso compromisso com a transparência e a prestação de contas", acrescentou.

De acordo com Serrano, a inadimplência do consignado ainda está sob controle, pois os pagamentos são deduzidos diretamente da fonte de renda dos beneficiários, mas a do programa Microfinanças ultrapassou 80%, e a maior parte das perdas será coberta pelo Fundo Garantidor de Microfinanças (FGM).

Ela lamentou que a falta de cumprimento do planejamento orçamentário do banco tenha resultado em consequências para a manutenção das linhas de crédito da Caixa, citando "oscilações" enfrentadas no segundo semestre do ano passado.

Serrano atribuiu o não cumprimento a "ações casuísticas, combinada com a instabilidade na gestão causada pelas denúncias de assédio contra o principal dirigente da instituição".

Em junho do ano passado, o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, renunciou ao cargo, após múltiplas acusações de assédio sexual. Ele disse que as acusações não são verdadeiras.

Serrano, que foi integrante do Conselho de Administração do banco na gestão Bolsonaro, garantiu que a instituição financeira se mantém sólida.

"Desde o meu tempo como conselheira de administração, manifestei preocupação em relação a essas medidas, e as questionei por considerá-las contestáveis, implementadas às vésperas das eleições de 2022 e com um apelo excessivo ao endividamento da população vulnerável", disse.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)