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Ibovespa fecha em queda com nova correção, mas segue para mês positivo

30/05/2023 17h07

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa teve mais um dia de ajustes e fechou em queda nesta terça-feira, na segunda baixa consecutiva, pressionado particularmente pelo declínio de blue chips, apesar de noticiário favorável sobre o comportamento dos preços no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,24%, a 108.967,03 pontos. No pior momento, chegou a 108.551,51 pontos, após ensaiar melhora na abertura, quando chegou a subir a 111.290,69 pontos.

O volume financeiro somou 23,2 bilhões de reais.

Para o presidente-executivo da Box Asset Management, Fabrício Gonçalvez, a bolsa paulista refletiu um movimento de correção de preços, após a valorização acumulada nos últimos pregões, o que é algo "natural".

Até a última sexta-feira, o Ibovespa subira em 13 de 17 pregões, somando ganho de quase 9%. No mês, ainda contabiliza uma alta de 4,34%, na direção de refutar o velho ditado do mercado "sell in May and go away" (venda em maio e vá embora).

De acordo com o gestor de renda variável da Western Asset César Mikail, o Ibovespa saiu de 102 mil para 110 mil, 111 mil pontos, e agora está se acomodando ao redor destes patamares aguardando novos números e notícias para definir uma tendência.

"É mais um ajuste técnico", afirmou.

A queda ocorreu mesmo com dados mostrando deflação do IGP-M em maio e do Índice de Preços ao Produtor (IPP) de abril, um dia após o presidente do Banco Central afirmar que vê "janela" para continuidade na queda dos núcleos de inflação.

Na visão do especialista em investimentos da Blue3 Investimentos Gabriel Félix, o IGP-M fortalece expectativas de que o Banco Central esteja ganhando espaço para uma possível antecipação do ciclo de corte da taxa básica de juros.

As apostas de um alívio monetária mais cedo ganharam força na semana passada com a desaceleração da alta do IPCA-15 de maio e avaliação de um tom mais moderado do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

A equipe da Tullett Prebon Brasil afirmou que ainda espera um corte da taxa Selic em setembro, mas reconheceu em relatório a clientes mais cedo que os riscos para que o ciclo de redução comece antes disso.

Na visão de alguns profissionais no mercado financeiro, um retorno do fluxo de capital externo -- negativo em maio em 2,2 bilhões de reais até o dia 26 -- para a bolsa depende de uma maior visibilidade sobre a queda dos juros no país.

No exterior, Wall Street fechou sem direção comum, com Nvidia ajudando o Nasdaq, enquanto o Dow Jones caiu e o S&P 500 ficou quase estável, ante da votação do acordo para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos em comitê na Câmara dos Deputados.

DESTAQUES

- VALE ON recuou 2,35%, a 64,28 reais, com o setor de mineração e siderurgia como um todo no vermelho, em meio à fraqueza nos preços dos contratos futuros do minério de ferro na China, bem como de outros produtos siderúrgicos. CSN ON perdeu 3,77% e GERDAU PN cedeu 2,53%, entre as maiores quedas do Ibovespa.

- BRADESCO PN caiu 2,73%, a 15,7 reais, e ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,41%, a 26,54 reais, em meio a dados mostrando que as concessões de empréstimos com recursos livres no Brasil recuaram 16,5% em abril ante março, enquanto a inadimplência aumentou. A exceção entre os grandes foi BANCO DO BRASIL ON, que subiu 0,86%. BTG PACTUAL UNIT perdeu 2,49%, tendo ainda no radar corte na recomendação de suas units pelo Citi.

- PETROBRAS PN encerrou em baixa de 1,12%, a 26,39 reais, pressionada pelo recuo dos preços do petróleo no exterior, com o Brent cedendo 4,6%, a 73,54 dólares o barril. No setor, 3R PETROLEUM ON perdeu 2,42% e PRIO ON terminou em queda de 2,82%.

- IRB BRASIL ON valorizou-se 4,31%, a 38,71 reais, na quarta alta consecutiva, ampliando a recuperação desde que renovou mínimas históricas no começo de março. Apenas em maio, os papéis da resseguradora contabilizam uma elevação de 23%. Desde a mínima intradia em 2 de março, de 18,27 reais, sobe 111,88%.

- HAPVIDA ON avançou 4,1%, a 4,06 reais, também reagindo após tocar mínimas históricas em março. Depois de subir mais de 5% em abril, os papéis da empresa de saúde acumulam neste mês valorização de 47,10%, na esteira do resultado do primeiro trimestre, além de medidas nos últimos meses para reforçar sua estrutura de capital, incluindo venda de subsidiária e oferta de ações.