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BC suíço defende aumento dos juros e diz não ser culpado por colapso do Credit Suisse

31/05/2023 15h24

ZURIQUE (Reuters) - O presidente do Banco Nacional da Suíça (SNB, na sigla em inglês), Thomas Jordan, defendeu os recentes aumentos nas taxas de juros para combater a inflação, dizendo que não prejudicam a estabilidade financeira suíça nem são responsáveis pelo colapso do Credit Suisse.

O SNB aumentou as taxas de juros quatro vezes ao longo do ano passado para reduzir a inflação que persistiu acima da meta do banco central de zero até 2%.

O mercado atualmente espera um aumento de 0,25 ponto percentual em relação ao atual nível de 1,5% quando o banco central fizer sua próxima reunião em junho.

"As taxas de juros na Suíça ainda estão muito baixas", disse Jordan em um evento em Lugano, no sul da Suíça. "Não vemos um grande risco em apertar demais a política monetária.

"Não é algo que prejudique a estabilidade financeira em geral na Suíça", acrescentou.

De fato, taxas mais altas podem ser vistas como positivas para a estabilidade financeira, ajudando os bancos a restaurar suas margens de lucro, disse ele.

"Tínhamos esse problema de estabilidade financeira com o Credit Suisse, mas era algo diferente", disse Jordan. "Este é um caso individual, onde as taxas de juros não foram o problema, mas sim a falta de confiança dos participantes do mercado em uma instituição."

Jordan disse estar preocupado com o ritmo dos saques bancários que acabaram levando ao resgate do banco atingido e à aquisição pelo UBS em uma operação projetada pelo governo e pelo banco central suíço.

"90% dos depósitos saíram em questão de dias", disse Jordan. "Isso é certamente algo que temos que olhar com muito cuidado e ver o que podemos fazer para evitar esse tipo de fuga dos bancos."

Jordan disse que também continua preocupado com a inflação suíça, que caiu em abril para 2,6%, mas permaneceu fora da meta do SNB pelo 14º mês consecutivo.

Quanto mais tempo a inflação permanecer acima da meta do banco central, mais ela ficará enraizada na percepção de empresas e famílias e será mais difícil reduzi-la, disse Jordan.

"Temos que trazê-la de volta para menos de 2% o mais rápido possível", disse Jordan.

(Reportagem de John Revill)