Ibovespa fecha quase estável em dia com JBS e inflação dos EUA sob holofotes

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou quase estável nesta quarta-feira, distante da máxima do dia, com pregão marcado por salto de JBS após retomar planos de listar suas ações em Nova York e dados de inflação dos Estados Unidos corroborando expectativas de que o Federal Reserve pode estar perto de encerrar o ciclo de alta dos juros.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,09 %, a 117.666,49 pontos, refletindo movimentos de realização de lucros, após chegar a 119.156,48 pontos no melhor momento.

O volume financeiro somou 55,5 bilhões de reais, em sessão também marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI na sigla em inglês) subiu 0,2% em junho, abaixo da previsão de economistas de alta de 0,3%, com uma taxa de 3% em 12 meses, enquanto o núcleo desacelerou para 0,2%.

De acordo com o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, o CPI mostrou a continuidade da desaceleração da inflação pelo décimo mês consecutivo e isso é uma boa notícia para ativos de risco e a aposta de fim do ciclo de aperto monetário.

No entanto, ressaltou, o crescimento dos salários está em ritmo superior à inflação o que dificulta o controle dos preços. Ele também destacou que, apesar da trajetória de queda, o CPI permanece acima da meta de longo prazo do Fed (2%).

O banco central norte-americano não alterou os juros em reunião no mês passado, mas a expectativa no mercado -- conforme sinalizado por vários integrantes do Fed -- é de que promova um aumento de 0,25 ponto percentual neste mês.

Na visão do economista do Banco Modal Rafael Rondinelli, apesar do alívio, o núcleo de inflação permanece elevado e bem acima da meta de inflação, mantendo a expectativa de que o Fed deve aumentar os juros em 0,25 ponto.

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Ele ponderou, contudo, que os números nesta quarta-feira trazem algum alívio para as perspectivas dos próximos passos da política monetária nos EUA.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,74%.

Para a equipe da Franklin Templeton do Brasil, conforme relatório enviado a clientes, mesmo com a recuperação recente do mercado brasileiro, ainda há espaço para as ações continuarem avançando.

"No curto prazo, entretanto, os resultados corporativos ainda devem refletir um cenário desafiador e de baixo crescimento", afirmaram Frederico Sampaio, CIO de renda variável e Eduardo Bopp, VP e gestor de portfólio de renda variável.

"Além disso, a grande quantidade de ofertas de follow-on que têm vindo ao mercado em um curto espaço de tempo é outro fator que pode, ao menos momentaneamente, limitar um pouco o ritmo de recuperação das cotações", acrescentaram.

DESTAQUES

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- JBS ON saltou 9,05%, a 18,8 reais, após a maior produtora de carnes do mundo retomar planos de listar suas ações nos Estados Unidos, buscando ampliar sua capacidade para investir e crescer com menor custo de capital. No melhor momento, o papel chegou a 18,95 reais, máxima intradia desde março.

- B3 ON avançou 2,3%, a 14,25 reais, tendo como pano de fundo dados operacionais de junho divulgados pela operadora de infraestrutura de mercado financeiro, incluindo crescimento de 6,3% ano a ano no volume financeiro médio diário negociado (ADTV) no mercado de ações à vista.

- PETROBRAS PN fechou com variação positiva de 0,07%, a 29,17 reais, endossada pela alta dos preços do petróleo no exterior, onde o contrato de Brent subiu 0,89%. A companhia também firmou novo contrato de gás natural com Comgás no valor de 56 bilhões de reais.

- VALE ON encerrou com acréscimo de 0,71%, a 67,05 reais, conforme os futuros do minério de ferro se fortaleceram pela segunda sessão consecutiva nesta quarta-feira, impulsionados pela esperança de mais estímulos para o setor imobiliário na China, embora analistas vislumbrem uma queda nos preços no curto prazo.

- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,6%, a 28,27 reais, e BRADESCO PN cedeu 0,92%, a 16,15 reais.

- GPA ON terminou com declínio de 5,82%, a 21,37 reais, após forte valorização desde o final do mês passado, na esteira de notícias envolvendo o destino de sua participação no colombiano Éxito. Também no radar estão desdobramentos envolvendo o controlador Casino na França. Apenas em junho, os papéis acumulavam até a véspera alta de mais de 20%.

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- AZUL PN recuou 4,28%, a 18,57 reais, entre as poucas quedas da sessão, ampliando a correção no mês após forte valorização em junho, de quase 30%. A companhia aérea também anunciou oferta para emissão de títulos de dívida com vencimento em 2028. No setor, GOL PN perdeu 1,36%.

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