Ibovespa sobe com promessa de estímulo na China e apostas sobre Selic após IPCA-15

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, com a disparada de Vale e outras empresas de commodities metálicas diante da expectativa de estímulos econômicos na China, enquanto uma deflação maior que a esperada do IPCA-15 em julho ampliou apostas de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic na semana que vem.

Weg, Bradesco e aéreas foram destaques negativos, limitando os ganhos.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,55%, a 122.007,77 pontos, quarta alta consecutiva e o maior patamar de fechamento desde 11 agosto de 2021. Na máxima, o índice tocou o nível dos 123 mil pontos. O volume financeiro somou 24,4 bilhões de reais.

A informação de que a China intensificará o apoio a sua economia para se concentrar na demanda doméstica, conforme a agência de notícias estatal Xinhua, que citou o Politburo, órgão decisório do Partido Comunista, serviu de catalisador para os preços do minério de ferro e, consequentemente, para ações de mineradoras e siderúrgicas, já que o país asiático é um grande consumidor de aço.

Esses setores têm participação relevante no Ibovespa, sendo a Vale, por exemplo, o papel de maior influência no índice.

"Setor de mineração e siderurgia é, sim, o grande destaque hoje", disse Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo.

Ao mesmo tempo, ações de varejistas e construtoras também foram destaque positivo, embora tenham peso menor no índice. O movimento veio após o IPCA-15 cair 0,07% em julho, a primeira deflação em dez meses, e leitura abaixo da expectativa do mercado de recuo de 0,01%, fortalecendo apostas de queda de 0,5 ponto percentual na Selic na semana que vem.

Perto do fechamento da véspera, a precificação na curva de juros mostrava 55% de chance de corte de 0,5 ponto, enquanto no final desta tarde havia subido a 66%.

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"Se antes a gente tinha a maioria esperando 0,25 p.p. agora já vemos o pessoal mais inclinado a 0,5 p.p, considerando essa inflação desacelerando", disse Gabriela Joubert, estrategista-chefe do Inter.

O clima em Wall Street também corroborou para a alta, com avanço de 0,28% do S&P 500 em meio à expectativa da decisão do Federal Reserve na quarta-feira e de balanços de Google e Microsoft.

No Brasil, Carrefour Brasil e Telefônica Brasil divulgam resultados nesta terça.

DESTAQUES

- VALE subiu 3,09%, a 72,01 reais, quarta alta seguida, após o minério de ferro avançar mais de 1% na Ásia, diante de promessas de estímulo econômico pela China. Além disso, o Wall Street Journal disse que a empresa está perto de vender 10% de sua unidade de metais básicos por 2,5 bilhões de dólares a uma joint venture entre o fundo soberano da Arábia Saudita e a mineradora estatal Ma’aden. A Vale divulga balanço na quinta-feira. No setor, CSN MINERAÇÃO ON mostrou avanço de 2,31%.

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- CSN ON teve alta de 5,9%, a 13,82 reais; GERDAU PN ganhou 3,5%, a 29 reais; e USIMINAS PNA exibiu elevação de 2,18%, a 7,51 reais, em dia também positivo para outras empresas ligadas a commodities metálicas.

- EZTEC ON disparou 6,21%, a 21,38 reais, e foi destaque entre construtoras, beneficiadas pela perspectiva de queda de juros. Além disso, o Conselho Curador do FGTS aprovou o aumento em cerca de 28,9 bilhões de reais do orçamento para habitação neste ano, elevando a 96,9 bilhões de reais. CYRELA ON aumentou 3,75%, a 23,5 reais, e MRV ON teve alta de 1%, a 14,12 reais.

- MAGAZINE LUIZA ON avançou 1,99%, a 3,07 reais; VIA ON aumentou 1,95%, a 2,09 reais, com varejistas também em alta diante da expectativa pela queda da Selic. No setor de calçados, ALPARGATAS PN subiu 3,65%, a 9,36 reais.

- SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,11%, a 29,45 reais, antes de divulgar balanço na quarta-feira pela manhã, abrindo a temporada de resultados para os grandes bancos do país. BRADESCO PN mostrou queda de 0,36%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN teve variação positiva de 0,21%. Setor ainda tem no radar o potencial fim do JCP.

- CARREFOUR BRASIL ON subiu 3,14%, a 11,5 reais, e TELEFÔNICA BRASIL ON teve alta de 0,39%, a 41,38 reais, antes de divulgarem balanços após fechamento do mercado.

- PETROBRAS PN teve alta de 2,31%, a 31 reais, diante de alta do petróleo Brent, que atingiu maior valor intradiário em mais de três meses, a 83,87 dólares o barril. No setor, PRIO ON caiu 2,62% e 3R PETROLEUM ON teve variação negativa de 1,45%.

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- GOL PN caiu 3,06%, a 10,13 reais, em dia de alta do dólar e do petróleo, o que afeta os custos das aéreas. A Gol vive um mês de julho de correção após subir 58,3% em junho. A companhia aérea acumula queda de 23,1% neste mês. AZUL PN recuou 1,81%.

- WEG ON cedeu 2,5%, a 40,5 reais, interrompendo cinco sessões de alta, quando o papel foi impulsionado em especial pelo balanço do segundo trimestre divulgado na semana passada.

- COPEL PNB subiu 1,85%, a 8,28 reais, após a estatal paranaense anunciar nesta tarde que planeja lançar até quarta-feira a oferta de ações que levará à sua privatização.

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(Por André Romani; Edição de Pedro Fonseca)

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