China evita novos indícios de estímulo à medida que dados fracos fomentam pressão por ações

Por Joe Cash

PEQUIM (Reuters) - As autoridades chinesas divulgaram diretrizes políticas adicionais nesta segunda-feira, mas nenhuma medida concreta para impulsionar a economia e o consumo doméstico, deixando os investidores insatisfeitos, já que dados fracos da atividade aumentaram a pressão para que as autoridades atuem.

A atividade manufatureira na segunda maior economia do mundo caiu pelo quarto mês consecutivo em julho, enquanto os setores de serviços e construção oscilaram à beira da contração, mostraram pesquisas oficiais, ameaçando as perspectivas de crescimento para o terceiro trimestre.

Mas as autoridades, em uma coletiva de imprensa convocada pelo órgão de planejamento chinês, fizeram apenas promessas vagas de "estudar e formular políticas", frustrando as expectativas de que mais estímulos ocorressem após indicações positivas em uma reunião do Politburo neste mês -- e uma recuperação do mercado de ações que se seguiu.

"Olhando para o futuro, o apoio político é necessário para evitar que a economia da China entre em recessão, até porque os ventos externos contrários devem persistir por mais algum tempo", escreveu Julian Evans-Pritchard, chefe de economia para a China na Capital Economics, em nota.

A China cresceu a um ritmo lento no segundo trimestre, com a demanda enfraquecida no país e no exterior, e alguns analistas agora alertam que a meta de crescimento econômico do governo em torno de 5% pode estar em risco pelo segundo ano consecutivo.

Muitos analistas dizem que as autoridades podem estar relutantes em fornecer qualquer estímulo agressivo para impulsionar o consumo doméstico, no entanto, devido a preocupações com os crescentes riscos da dívida, apesar da urgência de ações.

Os dados desta segunda-feira mostraram que a atividade no setor de construção da China, um grande empregador em meio a uma ampla crise de desemprego, chegou a seu nível mais fraco desde que as interrupções relacionadas à Covid-19 se dissiparam por volta de fevereiro, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial do Escritório Nacional de Estatísticas.

O PMI industrial subiu para 49,3 em julho, de 49,0 em junho, ficando abaixo da marca de 50 pontos que separa expansão de contração.

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O PMI não manufatureiro, que incorpora subíndices para atividade do setor de serviços e construção, caiu para 51,5 de 53,2 em junho, enquanto o subíndice para construção recuou de 65,6 em março para 51,2 neste mês.

As principais autoridades da China prometeram intensificar neste mês o apoio à política econômica, concentrando-se na expansão da demanda doméstica, aumentando a confiança e minimizando os riscos, disse o Politburo, órgão decisório do Partido Comunista.

Mas os investidores estrangeiros dizem que as palavras das autoridades precisarão ser combinadas com ações substanciais, especialmente em torno da recuperação do setor imobiliário do país, há muito debilitado e altamente endividado, antes que a confiança se recupere.

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