Taxas de juros futuras caem com exterior e apostas de corte de 0,50 ponto da Selic voltam a crescer

(Republica texto com novo título e com atualização de cotações)

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros voltaram a cair nesta segunda-feira no Brasil, com investidores elevando novamente as apostas de que o Copom reduzirá a Selic em 0,50 ponto percentual na quarta-feira, em meio ao recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior e após o governo voltar a defender corte maior da taxa básica.

No início do dia, o relatório Focus do Banco Central mostrou que os economistas do mercado financeiro seguem projetando corte de apenas 0,25 ponto percentual da taxa básica Selic na quarta-feira. A taxa está atualmente em 13,75% ao ano.

Porém, o Focus também indicou que os economistas passaram a ver uma Selic mais baixa em 2024 e cortaram de 4,90% para 4,84% a projeção de inflação para 2023. Para 2024, a expectativa foi de 3,90% para 3,89%.

A curva de juros futuros traduz menos conservadorismo em relação ao encontro do Comitê de Política Monetária (Copom). Na sexta-feira, a precificação de corte de 0,50 ponto havia caído, mas nesta segunda ela voltou a subir.

“Na sexta as taxas subiram um pouco, após os dados que mostraram desemprego de 8%. Hoje elas caem novamente”, pontuou o economista o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano. “O que mudou bastante a perspectiva para o Copom foi o IPCA-15 de julho, que veio melhor que o esperado, com uma também composição melhor.”

Para Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, a baixa das taxas dos Treasuries e o corte no Focus da Selic projetada para 2024 influenciaram o recuo da curva a termo no Brasil nesta segunda-feira.

“Na ausência de motivos que levem o mercado a reconsiderar 0,25 ponto de corte, parece que vai se consolidando o 0,50”, comentou Machado.

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No fim de semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também voltou a defender corte maior da Selic. Em entrevista no sábado, ele disse que o BC tem "espaço considerável" para cortar a taxa básica.

“Penso que o ciclo de cortes vai começar, e que o espaço que existe é bastante considerável”, disse Haddad em entrevista à TV GGN.

Na última sexta-feira, o banco central do Chile cortou sua taxa básica em 1 ponto percentual, para 10,25% ao ano, surpreendendo boa parte do mercado, que esperava por corte de 0,75 ponto percentual.

No Brasil, a dúvida é se na próxima quarta-feira o Copom vai surpreender os economistas que contribuem para o Focus, cortando a taxa básica em 0,50 ponto, ou os agentes que atuam no mercado futuro, com corte de apenas 0,25 ponto.

Seja qual for a decisão, profissionais têm ponderado que o anúncio será importante para ajustar a curva a termo a partir de quinta-feira e para sinalizar os próximos passos da política monetária. Caso o corte seja de meio ponto, podem crescer as apostas de reduções maiores, de 0,75 ponto percentual, nos encontros seguintes.

Perto do fechamento desta segunda-feira a precificação na curva a termo brasileira era de 64% de chances de corte de 0,50 ponto percentual da Selic na próxima semana e de 36% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual. Na sexta-feira, os percentuais eram de 58% e 42%, respectivamente.

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No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,58%, ante 12,621% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,6%, ante 10,648% do ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,07%, ante 10,124% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,145%, ante 10,211%.

Às 16:51 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 0,80 ponto-base, a 3,9608%.

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