Autoridades da China mantêm os investidores em modo de espera, mas dão garantia de liquidez

Por Joe Cash

PEQUIM (Reuters) - A liquidez no sistema bancário da China será mantida razoavelmente ampla, disse uma autoridade durante coletiva de imprensa do órgão de planejamento estatal nesta sexta-feira, que deixou os investidores consternados com a lenta adoção de suporte a uma economia que perdeu sua recuperação pós-pandemia.

A expectativa era alta por algumas notícias positivas nas três coletivas de imprensa convocadas esta semana pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, depois que uma reunião do Politburo do Partido Comunista em 24 de julho alimentou as esperanças de que medidas de estímulo estivessem a caminho.

Os investidores nas bolsas de valores da China, no entanto, ficaram claramente desapontados, já que o índice Hang Seng de Hong Kong caiu cerca de 2% ao longo da semana, enquanto o índice de referência chinês CSI300 obteve um ganho de 0,7%.

As ações reduziram as altas iniciais após a conclusão da conferência de imprensa desta sexta-feira, já que o resultado mais positiva foi a garantia de um funcionário do banco central de que reduções na taxa de compulsório dos bancos ainda estão em jogo.

"Os cortes na taxa de compulsório, operações de mercado aberto e instrumentos de empréstimo de médio prazo (MLF) e outras ferramentas estruturais de política monetária... precisam ser usadas de maneira coordenada e flexível", disse Zou Lan, chefe do departamento de política monetária do Banco do Povo da China.

Mas os investidores estão ficando frustrados com o tempo que a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma está levando para concretizar as políticas de estímulo ou ordenar medidas.

Antes de coletivas de imprensa semelhantes na segunda e terça-feiras, a Comissão divulgou propostas para expandir o consumo nos setores automotivo, imobiliário e de serviços, bem como para melhorar o ambiente de negócios para empresas privadas. Mas poucos detalhes foram dados.

"Embora o tom seja de apoio, essas são principalmente medidas de alto nível sem granularidade e reiterações do que as autoridades disseram antes", disseram analistas do UBS em nota.

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"A entrevista conjunta provavelmente decepcionou alguns investidores locais, que tinham grandes expectativas (antes da) reunião, esperando ver medidas fortes."

Alguns analistas especularam que a Comissão poderia estar perdendo parte de sua influência, tendo detido o poder de um mini Conselho de Estado, ou Gabinete.

"Acho que os funcionários dos ministérios podem estar enfrentando restrições de cima, algumas das quais são ideológicas", disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit. "Daí os atrasos na formulação de políticas e a falta de medidas inovadoras."

As propostas de terça-feira incluíam uma extensão apoiada pelo banco central para ferramentas de apoio a empréstimos para pequenas e microempresas até o final de 2024. Mas, fora isso, são uma repetição dos objetivos existentes do governo, como continuar a reduzir a lista negativa de indústrias fechadas para investidores privados, melhorando os direitos de propriedade intelectual e simplificando os procedimentos administrativos.

Os internautas nas mídias sociais chinesas também começaram a questionar o que as autoridades estão fazendo.

"O funcionário que elaborou este documento apresentou tantas políticas, cada uma das quais foi inventada sem ser claramente explicada", disse um usuário da plataforma de mídia social Weibo.

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A Capital Economics disse em nota aos clientes no início desta semana: "mesmo que obtenhamos o estímulo prometido, é provável que seja bastante contido. Mesmo no melhor cenário, o crescimento no segundo semestre deste ano parece que será modesto."

(Reportagem de Joe Cash e Albee Zhang em Pequim)

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