Cid assumiu tudo sobre joias e não envolveu Bolsonaro em nada, diz advogado

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, "assumiu tudo" sobre as questões de eventuais irregularidades com o recebimento de jóias sauditas e não envolveu "em nada" o ex-presidente, afirmou nesta sexta-feira o advogado dele, Cezar Bittencourt, em áudio distribuído por seu escritório.

"Estão colocando palavras que não têm no Cid, acusações ao Bolsonaro que não existem. E mais, este problema se falou das joias, da recompra das joias, o Cid assumiu tudo", disse.

"Não colocou o Bolsonaro em nada. Não tem nenhuma acusação em corrupção, envolvimento e suspeita de Bolsonaro. A defesa não está jogando Cid contra Bolsonaro. O Cid faz a sua defesa e esses aspectos, suspeitas que poderia ter envolvimento com Bolsonaro, corrupção e desvio, inclusive militares e generais. O que é isso?", questionou ele.

O advogado de Cid disse que, mesmo não tendo "nenhuma simpatia" com Bolsonaro, é injusto com ele, com Cid e com o próprio ex-presidente informações veiculadas na imprensa de que o ex-ajudante estaria acusando seu ex-chefe.

"Isso não é verdade e a defesa do Cid está sendo bem feita... não estamos jogando a culpa nele", destacou.

Desde a sexta-feira da semana passada, o ex-auxiliar de Bolsonaro, segundo fontes da Polícia Federal, já prestou três grandes depoimentos a investigadores e estaria colaborando com a PF. A Reuters, no entanto, não conseguiu verificar a extensão dessa colaboração.

Na quinta, Cid deu um longo depoimento, mas Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro preferiram ficar em silêncio em seus depoimentos.

No áudio encaminhado pelo escritório, Bittencourt não deu detalhes sobre qual tipo de depoimento Cid estaria fazendo, se eventualmente uma colaboração judicial ou até mesmo uma delação premiada. O escritório disse que o advogado não estava disponível para dar entrevista.

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Mauro Cid está preso desde maio passado após operação da PF que investiga fraudes e adulterações em cartões de vacinas do ex-presidente e de pessoas próximas a ele.

O advogado afirmou ainda que Cid pegava o dinheiro em espécie do salário de Bolsonaro como presidente e a aposentadoria dele para pagar contas e despesas particulares dele.

"Era esse dinheiro que recebia em dinheiro e ia pagando porque ele não gosta de cartão de crédito", disse.

Bittencourt ressaltou no áudio que a atuação do seu cliente é o que foi relatado e que não vê a Polícia Federal tentando fazer "força para incriminar Bolsonaro".

"Se eles têm isso lá no íntimo então, isso não apareceu até agora", concluiu.

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