BC avalia que preços de ativos e desaceleração do crédito não preocupam, mas alerta para incertezas

SÃO PAULO (Reuters) - O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central avaliou no final de agosto que os preços dos ativos e o ritmo de crescimento do crédito não representam preocupação no médio prazo, embora existam incertezas a serem acompanhadas.

De acordo com a ata da reunião realizada em 29 e 30 de agosto, os principais ativos de risco da economia vêm seguindo trajetórias de preço moderadas.

"O crescimento do crédito continua desacelerando nas diversas modalidades, em especial na carteira de pessoas jurídicas e nas operações de maior risco junto às pessoas físicas. O Comef segue recomendando que as IFs (instituições financeiras) mantenham a prudência na política de gestão de crédito e de capital", mostrou o documento divulgado nesta quarta-feira.

Na ata, o BC ainda chamou a atenção para o fato de o apetite por risco das IFs na concessão de crédito às famílias e às empresas estar se reduzindo, ressaltando que apesar disso o ambiente ainda demanda atenção.

"Embora observe-se maior conservadorismo nos critérios das novas concessões (às famílias), o comprometimento de renda e o endividamento permanecem historicamente elevados", apontou o documento.

Com relação às empresas, o BC disse que o ritmo de crescimento do crédito também segue desacelerando, mas que não se percebe alteração relevante nos critérios de concessão.

Outros pontos de atenção levantados são o cenário global --que segundo o Comef ainda apresenta riscos que podem levar à materialização de cenários extremos de reprecificação de ativos financeiros globais-- e a maior volatilidade e elevação das taxas de juros de longo prazo nas economias centrais, em especial nos Estados Unidos, e maiores incertezas em torno do crescimento na China.

"O Comitê está atento à evolução dos cenários doméstico e internacional e segue preparado para atuar, de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional sobre os preços dos ativos locais", disse o Comef.

Em relação ao Sistema Financeiro Nacional, o Comef ainda avaliou que o financiamento à economia real continuou desacelerando, que as provisões mantiveram-se adequadas e acima das estimativas de perdas esperadas e que os níveis de capitalização e de liquidez mantiveram-se superiores aos requerimentos prudenciais.

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"O Comef avalia que a política macroprudencial neutra segue adequada ao atual momento, caracterizado pela ausência de acúmulo significativo de riscos financeiros. Considerando as expectativas do Comef sobre o crescimento do crédito, não há necessidade de ajustes na política macroprudencial no curto prazo", apontou a ata.

(Por Camila Moreira)

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