Dólar sobe após dados fortes nos EUA e antes de feriado no Brasil

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou a quarta-feira em alta ante o real, com investidores protegendo posições antes do feriado no Brasil e reagindo ao cenário externo, onde a moeda norte-americana encontrou suporte nos dados fortes do setor de serviços dos EUA e no Livro Bege do Federal Reserve.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9877 reais na venda, com alta de 0,24%.

Na B3, às 17:26 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,25%, a 4,9970 reais.

No início do dia, o dólar oscilou entre altas e baixas. Parte dos investidores reforçou posições de proteção (compradas na moeda norte-americana) antes do feriado do Dia da Independência, na quinta-feira, o que dava certo suporte às cotações. Por outro lado, as preocupações em torno do crescimento global ainda permeavam os negócios, pesando sobre os preços da divisa dos EUA.

Assim, o dólar marcou às 9h58 a cotação máxima da sessão, de 4,9960 reais (+0,41%). Neste ponto, conforme dois profissionais ouvidos pela Reuters, exportadores entraram nos negócios aproveitando as cotações próximas de 5 reais, o que conduziu o dólar à vista para a mínima de 4,9545 reais (-0,42%) às 10h58.

“No dólar, há uma resistência na parte gráfica na casa dos 5 reais. O que a gente enxerga é que, quando a moeda bate nos 5 reais, empresas exportadoras entram nos negócios, o que faz naturalmente que o dólar volte a recuar”, pontuou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

O cenário mudou novamente às 11h, quando foram divulgados novos dados do setor de serviços nos EUA.

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou que seu PMI de serviços subiu para 54,5 no mês passado, a leitura mais alta desde fevereiro e acima dos 52,7 registrados em julho.

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Uma leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da economia. Economistas consultados pela Reuters projetavam queda do índice para 52,5, e nenhum economista previu uma leitura mais alta do que 53,9.

Os números reforçaram a visão de que o Federal Reserve poderá ser mais rígido em sua política monetária para combater a inflação, eventualmente mantendo os juros mais altos por mais tempo. Isso renovou a força do dólar ante as demais divisas, incluindo o real.

A moeda norte-americana voltou a oscilar no campo positivo no Brasil, em sintonia com o índice do dólar no exterior, que também subia ante divisas fortes.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que, durante a tarde, a divulgação do Livro Bege, com avaliações e projeções do Fed sobre o cenário econômico, também ajudou a sustentar o avanço do dólar.

No fim da tarde, a moeda norte-americana seguia em alta no exterior.

Às 17:26 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,10%, a 104,850.

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Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de novembro.

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