Taxas futuras caem em dia de baixa liquidez e queda dos rendimentos dos Treasuries

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a sexta-feira em baixa no Brasil, numa sessão espremida entre o feriado de 7 de Setembro e o fim de semana, o que reduziu a liquidez, e marcada pela queda dos rendimentos dos Treasuries, após comentários de autoridades do Federal Reserve.

Na quinta-feira, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, reconheceu que a inflação está caindo e que a economia segue equilibrada, sugerindo que o banco central não vê necessidade urgente de elevar os juros novamente em sua reunião de política monetária em 20 de setembro.

Além disso, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, reiterou sua posição de que é possível colocar a economia em uma trajetória em que a inflação caia e, ao mesmo tempo, uma recessão seja evitada. Ele afirmou, no entanto, que isso não é uma garantia.

Já a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, adotou um tom mais agressivo, dizendo que, embora possa ser apropriado não fazer um aumento de juros na reunião de setembro, provavelmente será necessário mais aperto monetário para empurrar a inflação para a meta de 2% em tempo hábil.

Os rendimentos dos Treasuries recuavam em função dos comentários, o que também afetou a curva de juros dos países emergentes nesta sexta-feira.

No Brasil, a queda foi mais pronunciada entre os contratos para janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mas o movimento pouco alterou a precificação embutida na curva para o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Perto do fechamento a curva a termo precificava apenas 3% de chances de o corte da taxa básica Selic em setembro ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 97%. Na quarta-feira (antes do feriado) os percentuais eram de 2% e 98%, respectivamente. Hoje, a Selic está em 13,25% ao ano.

No fim da tarde desta sexta-feira a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,34%, ante 12,366% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,555%, ante 10,607% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,23%, ante 10,286%.

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Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,47%, ante 10,511%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,785%, ante 10,815%.

No exterior, no fim da tarde os rendimentos dos títulos norte-americanos de 10 anos seguiam em baixa.

Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 0,40 ponto-base, a 4,2581%.

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