Ibovespa fecha em alta após IPCA e com reforço de Petrobras

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão consecutivo nesta terça-feira, em desempenho favorecido pelo alívio da curva de DI após o IPCA acelerar um pouco menos do que previsto em agosto, enquanto o avanço dos preços do petróleo no exterior forneceu suporte às ações da Petrobras.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,93%, a 117.968,12 pontos, chegando na máxima 118.153,67 pontos. O volume financeiro totalizou 17,2 bilhões de reais nesta sessão, véspera de vencimento de opções sobre o Ibovespa na B3.

Para a sócia e especialista da Blue3 Investimentos Fernanda Bandeira, a bolsa refletiu o resultado do IPCA de agosto, que ficou abaixo do esperado, e deve servir como "combustível" para que o Banco Central continue cortando os juros.

O IPCA subiu 0,23% no mês passado, depois de avançar 0,12% em julho, segundo dados do IBGE, resultado um pouco abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de aumento de 0,28%. Em 12 meses até agosto, o índice acumulou alta de 4,61%, de 3,99% em julho. As projeções apontavam 4,67%.

Na visão do economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, os números divulgados pelo IBGE indicam que o processo de desinflação continua em andamento, incluindo melhorias no comportamento da inflação dos serviços, uma das preocupações do Comitê de Política Monetária (Copom).

Ele ressaltou que, como o próprio Copom tem explicitado, a barra para acelerar o ritmo de cortes de juros está bem alta e, portanto, o IPCA de agosto não é suficiente para promover a aceleração dos cortes da taxa Selic pelo Banco Central (BC). Atualmente, a taxa está em 13,25% ao ano.

"Porém, é claro que o resultado divulgado deve dar mais conforto ao Copom para continuar com a estratégia traçada de cortes de 50 pontos-base por reunião", reforçou ele em comentário enviado a clientes nesta terça-feira.

No mercado de DI, as taxas caíram precificando chances maiores de o BC acelerar o ritmo de cortes da Selic, embora não em setembro. A perspectiva de corte de 0,5 ponto percentual em setembro segue largamente majoritária, mas para novembro e dezembro aumentaram as apostas de corte de 0,75 ponto.

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Em Wall Street, a sessão terminou com os principais índices no vermelho, refletindo certa cautela de agentes financeiros antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos em agosto na quarta-feira. O S&P 500 recuou 0,57%.

Para o superintendente de pesquisa para pessoas físicas da Ágora Investimentos, José Cataldo, investidores aguardam a divulgação da inflação nos EUA antes de reforçarem apostas sobre o fim do processo de aperto monetário no país – e, por consequência, elevarem as parcelas de risco em seus portfólios.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 0,48%, a 33,53 reais, com o barril de petróleo Brent encerrando o dia no exterior em alta de 1,6%. A companhia informou que anunciará na quarta-feira iniciativas que visam torná-la a maior desenvolvedora de projetos de energia eólica do Brasil.

- BRADESCO PN fechou com acréscimo de 1,23%, a 14,83 reais, e ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,58%, a 27,61 reais, corroborando o viés positivo do Ibovespa, que ainda recebeu, do setor financeiro, um apoio relevante de B3, que registrou elevação de 1,94%.

- VALE ON fechou com variação negativa de 0,07%, a 67,62 reais, distante da máxima da sessão, quando chegou a 68,26 reais. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Dalian Commodity Exchange encerrou o dia com alta de 1,96%.

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- ASSAI ON subiu 5,32%, a 12,87 reais, buscando recuperar parte das perdas após três pregões seguidos de baixa, período em que acumulou um declínio de mais de 4%.

- PETZ ON valorizou-se 5,8%, a 5,84 reais, com o setor de varejo e consumo como um todo beneficiado pela queda das taxas futuras de juros após IPCA abaixo das previsões. No mês passado, Petz acumulou uma queda de quase 22%.

- HAPVIDA ON avançou 4,5%, a 4,64 reais, tendo como pano de fundo relatório do Itaú BBA afirmando que a ação é a sua preferida no setor de saúde. Os analistas têm recomendação "outperform" para os papéis da empresa e elevaram o preço-alvo de 6 para 7 reais.

- BRASKEM PNA caiu 2,27%, a 22,85 reais, no segundo pregão consecutivo de queda após alta de mais de 8% acumulada na semana passada. A petroquímica assinou contrato com a multinacional de energia e commodities Vitol para compra de óleo de pirólise produzido a partir de reciclagem química.

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