Haddad cita pressão de gastos e diz que país não pode crescer menos que média mundial

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na noite desta quarta-feira que o Brasil não pode crescer menos do que a média mundial e que o governo sofre pressão de gastos "para todo lado" e, por isso, a pasta tem mapeado todos os riscos, para que eles não gerem consequências econômicas.

Durante evento em São Paulo, que reuniu alguns dos maiores empresários do país, Haddad afirmou que um dos trabalhos de um "governo sério" é sempre localizar os riscos fiscais. "A gente mapeia até os riscos judiciais", pontuou o ministro.

"Não estou dizendo que todos os riscos estão ultrapassados. Temos que olhar o dia todo para os riscos que existem", disse.

O equilíbrio fiscal é um dos principais desafios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta para o Orçamento de 2024, encaminhada pelo governo ao Congresso, prevê resultado fiscal zero no próximo ano, uma meta que tem sido vista com ceticismo por parte do mercado, em função da necessidade de elevação de receitas.

"Temos que olhar para a qualidade do que se gasta, para o retorno do que se gasta", acrescentou em outro momento.

O ministro também voltou a defender que não existe uma política monetária desvinculada da política fiscal, mas sim uma "política econômica".

No evento, Haddad demonstrou otimismo não apenas em relação ao controle fiscal, mas também quanto à capacidade de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos próximos anos.

"Até aqui, se olharmos para o cenário que tínhamos em dezembro, pouco mais de oito meses passados, a gente pode dizer que avançamos, mas temos muito caminho pela frente ainda", disse. "Este país não pode crescer menos que a média mundial. Não temos o direito de oferecer à sociedade um crescimento menor que a média mundial", repetiu.

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Haddad disse esperar um ciclo positivo longo para o país, depois de 10 anos de "muita dificuldade".

REFORMA TRIBUTÁRIA

O ministro afirmou ainda que, em função de conversas com o relator da reforma tributária no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), e com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), existe a perspectiva de que o cronograma de votação da matéria até outubro seja cumprido.

Sobre o Novo PAC, lançado recentemente, Haddad afirmou que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, acredita que o futuro do Programa de Aceleração do Crescimento está ligado às concessões e às Parcerias Público-Privadas (PPPs).

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