Preços mais altos da gasolina devem ter impulsionado inflação dos EUA em agosto

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os preços ao consumidor dos Estados Unidos provavelmente tiveram o maior aumento em 14 meses em agosto devido ao custo da gasolina, mas uma alta moderada esperada no núcleo da inflação pode incentivar o Federal Reserve a manter a taxa de juros na próxima quarta-feira.

O relatório de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho será publicado nesta quarta-feira, uma semana antes da decisão do Fed sobre os juros. Ele segue ainda dados deste mês que mostram um abrandamento nas condições do mercado de trabalho em agosto.

Excluindo as categorias voláteis de alimentos e energia, o chamado núcleo da inflação deve ter se mantido sob controle pelo terceiro mês consecutivo, com previsão de que o aumento anual tenha sido o menor em quase dois anos.

"Será um quadro misto, com a inflação geral aumentando devido aos preços mais altos da gasolina e o núcleo da inflação permanecendo contido", disse Sam Bullard, economista sênior do Wells Fargo. "O Fed se sentirá encorajado pela tendência contínua de moderação do núcleo da inflação, mas ele ainda é muito alto."

O índice de preços ao consumidor provavelmente aumentou 0,6% no mês passado, de acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas. Esse seria o maior avanço desde junho de 2022, após duas altas mensais consecutivas de 0,2%.

Os preços da gasolina aceleraram em agosto, atingindo o pico de 3,984 dólares por galão na terceira semana do mês, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia dos EUA. Isso se compara a 3,676 dólares por galão durante o mesmo período em julho.

No período de 12 meses até agosto, a estimativa é de alta dos preços ao consumidor de 3,6%, depois de avanço de 3,2% em julho. Embora isso marque o segundo mês consecutivo de aceleração na inflação anual, os preços ao consumidor nessa base de comparação caíram de um pico de 9,1% em junho de 2022. O Fed tem uma meta de inflação de 2%.

O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, deve ter aumentado 0,2% pelo terceiro mês consecutivo, em meio à queda dos preços de carros e caminhões usados. Embora os aluguéis tenham continuado a aumentar, a tendência é de arrefecimento e espera-se uma desaceleração ainda maior à medida que mais prédios de apartamentos forem colocados no mercado.

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Nos 12 meses até agosto, a previsão é de que o núcleo tenha aumentado 4,3%. Esse seria o menor aumento anual desde setembro de 2021 e segue um avanço de 4,7% em julho.

Os mercados financeiros esperam que o Fed deixe sua taxa de juros inalterada na próxima quarta-feira, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. Desde março de 2022, o banco central dos EUA aumentou os juros em 525 pontos-base, para a faixa atual de 5,25% a 5,50%.

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