Prioridades do novo gabinete do Japão devem manter BC no centro das atenções

Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) - O esperado pacote de estímulo econômico do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, se concentrará em aliviar o aperto doméstico causado pelo aumento dos custos de combustíveis, em meio a um maior foco na inflação que também deverá colocar o banco central sob os holofotes políticos.

Kishida disse que lidar com o aumento dos custos de vida estará entre as principais prioridades de seu governo e prometeu revelar em setembro um pacote de medidas para lidar com o aumento dos preços dos combustíveis.

Seu gabinete reformulado provavelmente se concentrará em apresentar um pacote de gastos suficientes para atrair votos antes de uma possível eleição antecipada no final deste ano ou no próximo, dizem analistas, com alguns estimando o tamanho em cerca de 10 trilhões de ienes (68 bilhões de dólares).

Kishida disse que o governo provavelmente estenderá os prazos para os subsídios destinados a reduzir as contas de serviços públicos e de gasolina.

Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, ele disse que seu novo gabinete terá como objetivo compilar o pacote econômico no próximo mês para ajudar o público a enfrentar o impacto do aumento do custo de vida.

"Garantiremos que o Japão saia totalmente da deflação", disse Kishida, acrescentando que tomará medidas para que o crescimento dos salários exceda consistentemente a taxa de inflação em "vários pontos percentuais".

Normalmente, o aumento da inflação também aumentaria a pressão sobre o banco central --que tem como objetivo do mandato alcançar preços estáveis-- para que aperte a política monetária.

No Japão, não é tão simples assim, com muitos políticos e o banco central altamente sensíveis ao risco de descarrilar uma fraca recuperação econômica com aumentos prematuros da taxa de juros.

Continua após a publicidade

Diante da necessidade de manter a economia funcionando antes da possível eleição antecipada, Kishida provavelmente não pedirá ao Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) para que aperte a política monetária e corra o risco de prejudicar o consumo já fraco, dizem analistas.

No entanto, a política monetária ultrafrouxa do BOJ poderá ser submetida a um maior descontentamento público se a inflação se mostrar mais persistente do que o esperado, dando à oposição a oportunidade de atacar o governo por ignorar os dolorosos aumentos de preços, segundo alguns analistas.

Os críticos já acusam as taxas de juros ultrabaixas do banco central de alimentar quedas indesejadas do iene, que aumentam os preços das importações e elevam o custo de vida.

Deixe seu comentário

Só para assinantes