Carrefour exibe alertas sobre preços de alimentos para constranger fornecedores na França

Por Dominique Vidalon

PARIS (Reuters) - A rede de supermercados francesa Carrefour colocou alertas sobre preços em produtos que vão de chocolates Lindt a Lipton Ice Tea para pressionar os grandes fornecedores de bens de consumo Nestlé, PepsiCo e Unilever a reduzir seus reajustes antes de esperadas negociações contratuais.

O Carrefour está colocando adesivos em produtos que diminuíram de tamanho mas passaram a custar mais, mesmo depois que os preços das matérias-primas diminuíram, para angariar o apoio de consumidores em um momento em que os varejistas se preparam para enfrentar as maiores marcas do mundo em negociações que devem começar em breve e terminar em 15 de outubro.

"Obviamente, o objetivo de estigmatizar esses produtos é poder dizer aos fabricantes que repensem sua política de preços", disse Stefen Bompais, diretor de comunicações com clientes do Carrefour, em uma entrevista.

O presidente-executivo da companhia, Alexandre Bompard, que também dirige o grupo de lobby do setor varejista FDC, afirmou várias vezes que as empresas de bens de consumo não estão cooperando com esforços para reduzir o preço de milhares de produtos básicos, apesar da queda no custo das matérias-primas.

Desde segunda-feira, o Carrefour marcou 26 produtos em suas lojas na França com etiquetas que dizem: "Este produto viu seu volume ou peso cair e o preço efetivo do fornecedor aumentar"

O Carrefour diz, por exemplo, que uma garrafa de Lipton Ice Tea sem açúcar e com sabor de pêssego, produzido pela PepsiCo, encolheu de 1,5 litro para 1,25 litro, resultando em um aumento efetivo de 40% no preço por litro.

A PepsiCo não respondeu a um pedido por comentário.

Os grupos de consumidores afirmam que a "redução de tamanho" é uma prática generalizada, da qual supermercados como o Carrefour também são culpados em seus produtos de marca própria.

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Os avisos de redução de preços estão em todas as lojas francesas do Carrefour e durarão até que os fornecedores visados concordem com os cortes de preços, disse Bompais. O varejista poderá estender os avisos a outros produtos, mas não planeja estender a iniciativa a outros países.

(Reportagem de Dominique Vidalon e Richa Naidu)

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