Taxas futuras de juros ficam perto da estabilidade no Brasil apesar de alta da curva nos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros terminaram a quinta-feira próximas da estabilidade no Brasil, apesar do avanço firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior após novos dados sobre a economia norte-americana reforçarem apostas de que o Federal Reserve poderá ser mais rígido em sua política monetária.

Pela manhã, o Departamento do Comércio dos EUA informou que as vendas no varejo aumentaram 0,6% em agosto, levemente acima do 0,5% de julho. Economistas consultados pela Reuters previam aumento de 0,2%.

Já o Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram para 220.000 na semana encerrada em 9 de setembro, em dados ajustados sazonalmente, ante 217.000 na semana anterior. Apesar da alta, economistas previam 225.000 pedidos para a última semana.

Os números do varejo e do mercado de trabalho, considerados bons, deram força à leitura de que a inflação nos EUA ainda não está controlada e que o Fed poderá ser levado a subir mais sua taxa de juros ou mantê-la em níveis elevados por mais tempo. Em reação, os rendimentos dos Treasuries avançaram.

Ainda assim, no Brasil, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) seguiram comportadas, muito próximas dos níveis da véspera.

“Lá fora a curva está abrindo relativamente bem, em função dos EUA, que apresentaram dados mais fortes. Aqui tivemos a PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), que foi bem em linha com o esperado e não fez preço”, pontuou o economista Rafael Pacheco, da Guide Investimentos.

“Por mais que lá fora os dados tenham mostrado uma força maior da economia e da inflação, aqui dentro o cenário é outro. Já temos uma queda mais forte da inflação, então a curva brasileira hoje teve menos sensibilidade ao que acontece nos EUA”, acrescentou Pacheco.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o setor de serviços apresentou expansão de 0,5% em julho sobre junho, resultado ligeiramente acima da expectativa de alta de 0,4% em pesquisa da Reuters.

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Perto do fechamento desta quinta-feira a curva a termo precificava apenas 1% de chance de o corte da taxa básica Selic em setembro ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 99%. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,29%, ante 12,293% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,395%, ante 10,375% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,015%, ante 9,997%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,24%, ante 10,239%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,58%, ante 10,577%.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta.

Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- subia 3,40 pontos-base, a 5,0178%.O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4,40 pontos-base, a 4,2922%.

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