Ibovespa fecha em queda com NY, mas sobe 3% na semana

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, com o viés negativo em Wall Street corroborando realização de lucros no pregão brasileiro após quatro altas seguidas, em sessão também marcada pelo vencimento de opções sobre ações.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,53%, a 118.757,53 pontos, tendo oscilado entre a mínima de 118.666,46 pontos e a máxima de 119.780,2 pontos no dia.

O volume financeiro somou 29,6 bilhões de reais.

Apesar de tal desempenho, ainda assim o Ibovespa acumulou um avanço de 2,99% na semana.

Em Nova York, os principais índices acionários recuaram, em meio ao declínio de ações de fabricantes de chips por preocupações com a demanda e tendo como pano de fundo a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.

De acordo com o gestor de renda variável da Western Asset César Mikail, o cenário externo tem dado o tom no mercado brasileiro, e as atenções estão voltadas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed).

Há um percentual grande de investidores esperando que o banco central norte-americano não aumentará os juros na próxima semana, embora exista a possibilidade de um novo acréscimo em novembro, acrescentou.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anuncia na próxima quarta-feira sua decisão de política monetária, e a perspectiva é de que a taxa de juros permaneça na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano.

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Mikail ainda destacou que o desempenho do Ibovespa na semana encontrou suporte nas commodities, na esteira de alguns números econômicos melhores na China conhecidos nos últimos dias, quando também foram anunciadas medidas de estímulo.

DESTAQUES

- CASAS BAHIA ON tombou 15,56%, a 0,76 real, renovando mínima história intradia a 0,74 real, ainda pressionada pela oferta de ações, além de riscos de antecipação de dívida e possibilidade de investidores desistirem de pedidos de subscrição no follow-on. Para o Citi, os recursos da oferta devem reduzir a alavancagem e as despesas financeiras da varejista, mas não resolvem o seu problema mais amplo de estrutura de capital.

- ENERGISA UNIT avançou 4,9%, a 50,95 reais, em dia positivo para elétricas. O Ministério de Minas e Energia enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU) as diretrizes para o processo das concessões de distribuição de energia elétrica com vencimentos entre 2025 e 2031, acatando sugestão do setor e deixando de lado a ideia de cálculo de excedente econômico visando contrapartidas sociais. ELETROBRAS ON destoou, caindo 2,24%.

- VALE ON recuou 0,83%, a 69,54 reais, perdendo o fôlego mais positivo da abertura, quando chegou a subir a 71,23 reais. Os futuros do minério de ferro voltaram a subir na Ásia, com o contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange encerrando as negociações do dia com alta de 2,3%, a 879 iuans (120,91 dólares) por tonelada. Em Cingapura, o vencimento de referência também subiu.

- PETROBRAS PN terminou com variação positiva 0,06%, a 33,89 reais, renovando máxima histórica de fechamento. No exterior, o contrato de petróleo Brent fechou em alta de 0,25%, a 93,93 dólares o barril. PETROBRAS ON, porém, encerrou em baixa de 1,47%, a 36,9 reais.

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- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,22%, a 27,58 reais, mesmo após analistas do Bradesco BBI elevarem a recomendação dos papéis para "compra", avaliando que os principais riscos parecem estar precificados, enquanto o banco poderia continuar a apresentar crescimento de lucros/rentabilidade acima dos seus pares. BRADESCO PN cedeu 0,2%, mas o destaque negativo foi BTG PACTUAL UNIT, que caiu 2,38%.

- CARREFOUR ON desabou 7,04%, a 9,91 reais, acompanhado de perto por GPA ON, em baixa de 3,28%, a 4,43 reais. ASSAÍ ON perdeu 1,58%, a 12,42 reais. O Morgan Stanley manteve "overweight" para Carrefour e Assaí, mas reduziu os respectivos preços-alvo de 17,50 para 16,50 reais e de 23 para 20 reais. GPA manteve "equal-weight", mas o preço caiu a 5 reais.

(Edição de André Romani e Patrícia Vilas Boas)

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