Metalúrgicos dos EUA iniciam greve simultânea inédita contra GM, Ford e Stellantis

Por Joseph White e David Shepardson

DETROIT, Estados Unidos (Reuters) - O sindicato United Auto Workers (UAW) lançou nesta sexta-feira greves simultâneas em três fábricas de General Motors, Ford e Stellantis, dando início à mais ambiciosa campanha trabalhista do setor industrial dos Estados Unidos em décadas.

As paralisações nas três fábricas interromperão a produção dos modelos Ford Bronco, Jeep Wrangler e Chevrolet Colorado, além de outros carros populares no país.

"Pela primeira vez em nossa história, faremos greve em todas as três grandes montadoras", disse o presidente do UAW, Shawn Fain, acrescentando que o sindicato evitará greves gerais mais caras por enquanto, mas que todas as opções estão abertas se novos contratos não forem acordados.

Fain expôs os planos para as paralisações no Facebook Live, menos de duas horas antes do vencimento do contrato antigo.

As paralisações são o auge de semanas de confrontos entre Fain e os executivos das três montadoras em relação às exigências do sindicato por uma parcela maior dos lucros e maiores garantias de emprego à medida que as montadoras mudam sua produção para veículos elétricos.

O impasse se tornou uma questão política, com o presidente Joe Biden, que disputa reeleição no próximo ano, pedindo um acordo.

As greves envolvem cerca de 12.700 trabalhadores e ocorrem nas fábricas operadas pela Ford em Wayne, Michigan, pela GM em Wentzville, no Missouri, e pela Jeep, da Stellantis, em Toledo, Ohio. Essas fábricas são essenciais para a produção de alguns dos veículos mais lucrativos das três montadoras.

A decisão de Fain de optar por paralisações direcionadas pode limitar o custo da greve para o sindicato. O UAW tem um fundo de greve de 825 milhões de dólares, o que é insignificante em comparação com os bilhões em liquidez que as montadoras acumularam.

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"Essa é mais uma greve simbólica do que uma greve realmente prejudicial", disse Sam Fiorani, um analista de produção da Auto Forecast Solutions, que acrescentou que esperava mais na primeira ação da greve.

"Se as negociações não tomarem um rumo que Fain considere positivo, podemos esperar uma greve maior em uma ou duas semanas", disse ele.

O sindicato disse que deseja um aumento de 40% nos salários. As empresas ofereceram até 20%, mas sem os principais benefícios exigidos pelo sindicato.

Nenhuma das três empresas propôs a eliminação dos sistemas de salários escalonados que exigem que os novos contratados permaneçam no emprego por oito anos para ganharem o mesmo que os trabalhadores veteranos - uma exigência fundamental do UAW.

Fain rejeitou as afirmações das montadoras de que as exigências dos sindicatos custariam muito caro, dizendo que as empresas gastaram bilhões em recompras de ações e salários de executivos.

Uma greve total afetaria os lucros em cerca de 400 milhões a 500 milhões de dólares em cada montadora atingida pela paralisação por semana de produção perdida, estimou o Deutsche Bank.

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