Taxas futuras de juros sobem no Brasil em sintonia com os Treasuries

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a sexta-feira em alta, em especial entre os contratos com prazos mais longos, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries, em mais um dia de expectativa pela reunião de política monetária do Federal Reserve e de alta do petróleo no mercado internacional.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries subiam desde cedo, em meio à percepção de que o Fed tende a manter sua taxa básica na faixa entre 5,25% e 5,50% na próxima semana, mas pode sustentar os juros em patamares mais altos por mais tempo, considerando os dados mais recentes de inflação e atividade.

Além disso, o petróleo voltou a subir no mercado internacional, dando continuidade à escalada mais recente da commodity, que voltou a ficar acima dos 90 dólares o barril.

“A alta do petróleo não é um movimento isolado de hoje (sexta-feira), está acontecendo há algumas semanas. O Brent está em 94 dólares o barril, e este é um patamar alto, que começa a gerar um pouco de preocupação em relação à inflação”, pontuou Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research. “Então, a curva dos Treasuries sobe lá fora, principalmente na ponta longa.”

Em sintonia com o exterior, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram de forma mais perceptível também na ponta longa, enquanto as taxas curtas ficaram próximas da estabilidade.

Na prática, a curva seguiu precificando que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no encontro da próxima semana, cortará a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, e não em 0,75 ponto. As dúvidas -- assim como nos EUA -- giram em torno dos encontros seguintes do colegiado. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano.

“A evolução no contexto geral foi mais negativa desde a última reunião (em agosto), o que reforça que o Copom deve manter seu discurso de que a barra está alta para uma aceleração do ritmo de corte da Selic, já antecipando uma redução de 0,5 p.p. na reunião de novembro”, escreveram os analistas da Guide Investimentos, em análise a clientes.

“Existe chance de que a reunião de dezembro traga um corte maior, mas acreditamos que o cenário mais provável continue sendo um ajuste de mesma magnitude”, acrescentaram.

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Perto do fechamento desta sexta-feira a curva a termo precificava apenas 1% de chance de o corte da taxa básica Selic na próxima semana ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 99%.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,285%, ante 12,292% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,43%, ante 10,401% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,085%, ante 10,017%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,325%, ante 10,247%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,67%, ante 10,581%.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta.

Às 16:36 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- subia 1,80 ponto-base, a 5,0325%.

O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3,40 pontos-base, a 4,3244%.

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