Vendas no varejo do Brasil crescem mais que o esperado em julho

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) -As vendas varejistas no Brasil ganharam força no início do terceiro trimestre e cresceram mais do que o esperado em julho, mas ainda seguem em ritmo lento em meio à pressão dos juros elevados e da desaceleração global.

Em julho as vendas no varejo registraram aumento de 0,7% em relação ao mês anterior, contra expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,3%.

Isso representa o ritmo mais forte desde março, quando mostrou expansão pela mesma margem, e deixa o comércio varejista do país 2,2% abaixo do nível recorde da série, de outubro de 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“(O resultado de julho) assemelha-se a março em termos de patamar, pegando esse cenário de estabilidade, mas ainda não é o caso de um crescimento pronunciável”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, Cristiano Santos."Ainda não sabemos se é uma mudança de trajetória."

O IBGE divulgou ainda nesta sexta-feira que as vendas tiveram alta de 2,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, contra expectativa de 1,8%..

O comércio varejista iniciou o ano com força, mas foi perdendo ímpeto em meio ao alto comprometimento de renda das famílias e ao encarecimento do crédito, que pesa sobre itens de maior valor agregado.

Por outro lado, conta com medidas de transferência de renda do governo, mercado de trabalho resiliente e arrefecimento da inflação, além do início da redução da taxa básica de juros.

"Há mais gente empregada, mais renda circulando e isso aumenta a chance de consumo", explicou Santos. "O que está por trás desse crescimento do comércio é o avanço do crédito da pessoa física, em um possível sinal de antecipação do mercado à trajetória de queda dos juros."

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Entre as oito atividades pesquisadas, quatro mostraram expansão em julho, com destaque para a alta de 11,7% de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação.

A segunda maior alta no mês foi no setor de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, de 8,4%. "A alta vem muito por conta de base de comparação baixa, mas também houve promoções pontuais (de algumas grandes lojas)", explicou Santos.

O setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que representa mais de 45% da pesquisa, teve crescimento de 0,3% nas vendas, em resultado influenciado por uma pressão menor da inflação.

O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, teve contração de 0,3% no volume de vendas em junho. Isso se deveu principalmente à queda de 6,2% no comércio de veículos, uma vez que, segundo Santos, a política de mudança fiscal que culminou na redução do preço de alguns automóveis se concentrou mais em junho.

O Banco Central cortou a taxa básica de juros Selic a 13,25% em agosto, nível ainda elevado que restringe a economia. Mas o BC deve adotar novo corte de 0,5 ponto percentual quando se reunir na próxima semana, dando sequência a um ciclo de afrouxamento da política monetária.

"Nossa visão é que o comércio fique de lado até o final do ano, impactado pelo efeito do juro alto na economia", avaliou Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

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(Edição de Luana Maria Benedito)

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