BIS sinaliza nova imprevisibilidade nos mercados de taxas de juros

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Por Marc Jones

LONDRES (Reuters) - O Banco de Compensações Internacionais pediu a investidores que se preparem para um período prolongado de imprevisibilidade nas taxas de juros globais, bem como para o aumento das pressões no sistema financeiro.

A possibilidade de a inflação permanecer alta e exigir que os principais bancos centrais, como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu, mantenham os custos dos empréstimos em seus atuais níveis elevados não deve ser subestimada, disse o BIS, considerado o banco central dos bancos centrais.

"Claramente, ainda há algumas diferenças residuais entre o que os mercados financeiros estão vendo e a comunicação que vem dos bancos centrais", disse Claudio Borio, chefe da unidade monetária e de economia do BIS, como parte de um relatório trimestral.

A avaliação é feita no momento em que os mercados globais têm, em grande parte, ignorado o colapso de vários bancos de médio porte dos EUA este ano, desencadeado pelo aumento acentuado das taxas, bem como a aquisição emergencial do Credit Suisse pelo UBS.

Borio disse que após anos de previsibilidade - quando crises consecutivas levaram as taxas a níveis abaixo de zero em algumas partes do mundo, seguidas por aumentos rápidos nos últimos 18 meses - a direção adotada pelos bancos centrais não é mais um dada como certa.

"O risco de que a inflação venha a se mostrar mais teimosa do que o esperado é algo que não devemos descartar", acrescentou Borio.

"Portanto, os modelos de negócios e as estratégias de negociação que se baseavam nessa suposição (de que as taxas cairiam rapidamente) são particularmente vulneráveis às condições atuais".

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Houve também um alerta de que a pressão dos custos mais altos de empréstimos poderia deixar as empresas e os tomadores de empréstimos hipotecários incapazes de lidar com a situação e causar perdas de crédito para os bancos e outros credores.

Embora tenha havido alguns sinais de estabilização em alguns mercados imobiliários em todo o mundo, as perdas com empréstimos, tanto nesses como em outros setores, continuarão a causar problemas à medida que as economias se enfraquecem, estimou Borio.

"A questão é saber até que ponto o sistema financeiro como um todo será resiliente para absorver essas perdas", acrescentou ele, "e, particularmente, até que ponto essas perdas serão grandes e persistentes".

O relatório do BIS também reiterou as preocupações sobre o impacto em partes altamente alavancadas do setor financeiro que apostaram na manutenção da taxa de juros dos EUA em níveis mais baixos do que os que foram mantidos.

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