Ibovespa fecha em queda com Vale enquanto investidor aguarda decisões de juros

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa voltou a flertar com os 119 mil pontos nesta segunda-feira, mas perdeu o fôlego e fechou em queda, pressionado particularmente pelo declínio de Vale, em semana que reserva uma série de decisões de política monetária no mundo, o que tende a adicionar volatilidade aos mercados.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,4%, a 118.288,21 pontos, tendo oscilado entre a máxima de 119.485,9 pontos e a mínima de 118.122,66 pontos durante a sessão. O volume financeiro somou 19 bilhões de reais.

"Investidores estão, aparentemente, em compasso de espera pelas decisões de juros em importantes economias, especialmente nos Estados Unidos", pontuou o superintendente da área de pesquisa para pessoas físicas da Ágora Investimentos, José Cataldo, em relatório a clientes.

O banco central norte-americano anuncia decisão na quarta-feira e a previsão no mercado é de que a taxa de juros seja mantida na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. O desfecho da reunião que começa na terça-feira virá acompanhado de projeções econômicas do Federal Reserve (Fed) e seguido por coletiva à imprensa do chair Jerome Powell.

Na visão do Bank of America, a manutenção da taxa seria consistente tanto com as comunicações recentes do Fed como com a atual precificação no mercado. "Investidores provavelmente se concentrarão no resumo das projeções econômicas (SEP, na sigla em inglês), que será divulgado junto com o comunicado."

Ainda no exterior, também estão previstas na semana as decisões dos BCs da Inglaterra e do Japão.

No Brasil, o Banco Central estará sob os holofotes com decisão sobre a Selic na quarta-feira, com as previsões apontando corte de 0,50 ponto percentual sobre os atuais 13,25% ao ano. Assim como no caso do Fed, a atenção estará no comunicado e eventuais indicações sobre os movimentos seguintes.

"Esperamos que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a meta Selic em 0,50 p.p. para 12,75%, em linha com o sinalizado na reunião anterior e as expectativas amplamente majoritárias do mercado", afirmou o estrategista-chefe da Warren Rena, Sérgio Goldenstein, em relatório a clientes.

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Para ele, o mais provável é que o comunicado do BC repita a mensagem de que os membros do comitê anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.

DESTAQUES

- VALE ON cedeu 1,18%, a 68,72 reais, em dia de fraqueza dos futuros do minério de ferro. O contrato mais negociado da commodity na Dalian Commodity Exchange, na China, encerrou as negociações do dia com perda de 0,2%, após forte alta recente. No caso da Vale, as ações valorizaram-se mais de 4% na semana passada.

- PETROBRAS PN subiu 0,71%, a 34,13 reais, endossada pela alta dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent terminando o dia em alta de 0,53%, a 94,43 dólares. PETROBRAS ON avançou 1,25%, a 37,36 reais. Ambas, contudo, fecharam distante do melhor momento do pregão, quando renovaram máximas históricas intradia, de 34,71 e 38,09 reais, respectivamente. A companhia disse que está avaliando os ativos da Braskem para eventual exercício de preferência sobre a fatia da Novonor na petroquímica e também estimou queda de 14% no preço do gás a distribuidoras em 2024.

- ITAÚ UNIBANCO PN fechou com variação negativa de 0,25%, a 27,51 reais, enquanto BRADESCO PN terminou estável, a 14,92 reais. Entre os papéis de bancos listados no Ibovespa, o destaque negativo foi BTG PACTUAL UNIT, que recuou 1,68%. SANTANDER BRASIL UNIT, por sua vez, avançou 1,84%.

- BRASKEM PNA valorizou-se 5,84%, a 23,21 reais, tendo como pano de fundo que a Petrobras está fazendo "due dilligence" dos ativos da companhia na hipótese de optar por exercer direito de preferência em uma eventual venda da participação da sócia Novonor na petroquímica. Em comunicado separado, a Braskem citou declaração da Novonor de que não houve qualquer material ou vinculante nas discussões que vem mantendo com as eventuais partes interessadas na aquisição de sua participação na Braskem.

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- AZUL PN subiu 2,95%, a 13,94 reais, ajudada ainda por relatório do JPMorgan elevando a recomendação das ações para "overweight" e o preço-alvo. No setor, GOL PN fechou com acréscimo de 1,82%, a 6,7 reais, mesmo com os analistas do banco norte-americano reiterando recomendação "underweight" e reduzindo o preço-alvo dos papéis.

- TELEFÔNICA BRASIL PN avançou 1,94%, a 44,13 reais, chegando a 44,66 reais no melhor momento, máxima intradia desde julho de 2022, em meio a expectativas de aumento na remuneração a acionistas após a Anatel aprovar pedido de anuência prévia para que a companhia, que atua sob a marca Vivo, promova "uma ou mais" reduções de capital.

- CASAS BAHIA ON caiu 3,95%, a 0,73 real, chegando a 0,68 real no pior momento, renovando mínimas históricas, com o noticiário recente incluindo venda de ações com forte desconto em follow-on, possibilidade de investidores que participaram da oferta desistirem e risco de antecipação de dívida. Na contramão, MAGAZINE LUIZA ON fechou com alta de 4,03%.

- VAMOS ON perdeu 5,66%, a 10 reais, tendo no radar relatório do Bank of America cortando a recomendação dos papéis para "neutra" e o preço-alvo de 18,40 para 13,50 reais, conforme os analistas do banco veem o ritmo de crescimento da companhia desacelerando.

- MARISA LOJAS ON, que não está no Ibovespa, tombou 8,7%, a 0,63 real, revertendo a alta da abertura, que superou 4%. A empresa anunciou parceria de 15 anos com a financeira Credsystem para oferta de empréstimo pessoal e de cartões em pontos físicos de venda o que pode gerar cerca de 400 milhões de reais em 12 meses para a varejista de moda.

(Edição de Alexandre Caverni e Patrícia Vilas Boas)

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