Projeções do Fed mostrarão se "pouso" é novo cenário básico ou se não tem fundamento

Por Howard Schneider

WASHINGTON (Reuters) - Confiantes de que o Federal Reserve deixará a taxa de juros inalterada nesta quarta-feira, investidores estão muito mais concentrados na divulgação de novas previsões que revelarão o quanto as autoridades do banco central dos Estados Unidos acreditam na perspectiva de um "pouso suave" e qual cenário de juros prevalecerá.

No curto prazo, a expectativa é de que as autoridades do Fed ainda projetem mais um aumento dos juros antes do final de 2023, provavelmente na reunião de 31 de outubro e 1º de novembro.

Mas, para além disso, a divulgação do Resumo das Projeções Econômicas atualizado forçará os membros do Fed a mostrar se acreditam que a recente série de bons dados pode continuar - com a desaceleração da inflação ao lado de um crescimento econômico e de empregos mais forte do que o previsto - ou se será necessária uma política monetária ainda mais restritiva para encerrar a luta contra o aumento dos preços, apesar dos riscos que isso traz de uma parada brusca para a expansão econômica pós-pandemia.

As projeções "devem passar por revisões significativas ... incluindo melhoras para o crescimento e o mercado de trabalho e uma revisão para baixo da inflação, pelo menos em 2023", escreveu Matthew Luzzetti, economista-chefe do Deutsche Bank.

Caso ocorra, o próximo aumento da taxa poderá ser, de fato, o último de um ciclo de aperto iniciado em março de 2022, mas as projeções para o próximo ano e para os anos seguintes indicarão a duração esperada do período de taxas de juros elevadas, a rapidez com que a inflação retornará à meta e o grau de desaceleração da economia e de aumento do desemprego ao longo do caminho.

As novas projeções e o comunicado de política monetária do Fed serão divulgadas às 15h (horário de Brasília). O chair do Fed, Jerome Powell, dará entrevista à imprensa meia hora depois.

No último conjunto de projeções trimestrais, publicado em junho, a mediana para o fim de ano era de crescimento econômico de 1,0%, inflação subjacente de 3,9% e taxa básica de juros na faixa de 5,50% a 5,75%, apenas 0,25 ponto percentual acima da faixa aprovada na última reunião, de julho.

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