Recursos de follow-on são suficientes para plano de transformação da Casas Bahia, diz presidente

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente-executivo do grupo Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou nesta quarta-feira que os recursos da oferta subsequente de ações da companhia serão suficiente para o plano de reestruturação da empresa.

A varejista, também dona das marcas Ponto e Extra.com, levantou na semana passada 623 milhões de reais, em operação precificada com um desconto de quase 28% frente ao preço de tela. Os recursos serão usados para reforço de estrutura de capital e para colocar de pé uma mudança na forma de financiamento do crediário, parte um plano de transformação da companhia para 2025 anunciado em agosto.

A captação "coloca dinheiro na companhia num momento que minimiza risco de execução, é suficiente para o plano de transformação, e deixou um 'upside' (potencial de ganho) na mesa para o investidor que entrou agora", disse Franklin a jornalistas. O executivo participou de evento em São Paulo sobre o reposicionamento de marca da empresa, com a mudança do nome de Via para Casas Bahia.

Diante do desconto da oferta de ações, e de uma possibilidade de vencimento antecipado de 400 milhões de reais em dívida, a ação da Casas Bahia caiu cerca de 30% em uma semana, embora operasse em alta de 4% nesta tarde na casa do 0,78 real cada.

"Não existe uma apresentação ou uma transação que vai resolver a percepção que o mercado tem sobre a companhia", afirmou ele.

No entanto, para Franklin, a participação de mercado da empresa nos segmentos principais, como eletrodomésticos, móveis e eletroeletrônicos, que agora são novamente o foco do grupo, torna a percepção de risco do mercado sobre a companhia "muito equivocada e muito maior do que a realidade".

A melhora dessa questão, segundo ele, passa por períodos seguidos de resultados consistentes. "Não um trimestre, mas cinco, seis, sete trimestres, entregando o que estamos nos comprometendo a entregar."

Atualmente, a companhia acumula uma série de prejuízos trimestrais.

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O executivo afirmou ainda que a readequação da publicidade da Casas Bahia, para um modelo mais adaptado para cada região do país e focado em retomar a força da marca, vai gerar uma economia de 200 milhões de reais em marketing anualmente.

Sobre os débitos do grupo, Franklin disse que do endividamento bruto de 3,7 bilhões de reais da Casas Bahia no final do segundo trimestre, cerca de 1,8 bilhão vence no ano que vem. Por sua vez, 1,2 bilhão desse montante é de linhas de crédito com bancos que a empresa tem a intenção de renovar, de acordo com o executivo.

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