Ativista em favela do Rio planta telhados verdes para combater onda de calor

Por Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Luis Cassiano sobe uma escada e gentilmente coloca pequenos feixes de plantas em um telhado de lata em um bairro pobre do Rio de Janeiro.

O ativista ambiental brasileiro de 53 anos está plantando "telhados verdes" para crescer no topo das casas, em um esforço para diminuir as temperaturas sufocantes no interior da residência.

Uma onda de calor incomum no final do inverno nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil pode levar as temperaturas a um recorde sazonal que, segundo os meteorologistas, pode chegar de 40ºC a 45°C nas principais cidades nos próximos dias.

"O projeto se inicia por uma necessidade, pelo fato de eu transpirar muito, a casa ser muito quente. A favela é muito quente. Eu tinha que procurar uma solução", disse Cassiano, que coordena o projeto.

As casas nas favelas geralmente são construídas muito próximas umas das outras, usando sucata como telhado.

Os telhados verdes absorvem o calor e agem como isolantes para as construções, reduzindo a energia necessária para fornecer refrigeração e aquecimento, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

"Um telhado verde tem diversos benefícios, mas aqui é justamente a atenuação da temperatura. Mas deixa a casa muito mais bonita, traz pássaros e borboletas", disse Cassiano.

Ele selecionou espécies de plantas como a rasteira tradescantia zebrina e suculentas que retêm água para não pesar ou danificar as construções. As plantas precisam ser rupícolas, ou que vivem em rochas, para suportar o calor.

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Cassiano espera que mais pessoas adotem a ideia de telhados verdes nas comunidades brasileiras, um conceito que ele diz não ser apenas para casas de alto padrão ou shopping centers sofisticados.

"As pessoas que aqui moram (na favela) geralmente vão para um lado mais rápido, um ventilador, um ar-condicionado. A gente pode também integrar plantas no nosso hábitat", disse ele.

"Não temos como botar árvores na favela, porque não tem mais espaço. Mas a gente tem muitas plataformas em cima das casas que podem ser usadas para botar plantas."

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