Usinas resistem a baixar preços de aço no Brasil e importação seguirá pressionando, diz Inda

SÃO PAULO (Reuters) - As usinas siderúrgicas brasileiras estão resistindo a reduzir seus preços apesar da elevada diferença em algumas regiões do país com valores cobrados por material importado, que deve continuar chegando em grandes quantidades, afirmou nesta quinta-feira a entidade representativa dos distribuidores de aços planos, Inda.

Em agosto, as importações de aço plano pelo Brasil, segundo os dados do Inda, dispararam 56,4%, para quase 231 mil toneladas, ante o mesmo período de 2022.

Incluindo aços longos na conta, conforme dados divulgados mais cedo pelo Aço Brasil, que representa as usinas, as importações da liga no mês passado somaram 495,7 mil toneladas, avanço de 55,6% sobre o mesmo período de 2022, maior patamar desde julho de 2021.

"Provavelmente vamos ter um setembro igual ou mais forte que agosto em importações", disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas.

"Há grande resistência das usinas em reduzir seus preços (no Brasil). Elas estão tentando manter, mas está realmente muito difícil para elas", acrescentou o executivo, citando um quadro de preços abaixo do custo de produção sendo praticado pela China, principal origem das importações nacionais da liga.

Loureiro citou dados mostrando que os preços internacionais do aço caíram de 10 e 64 dólares na China e nos Estados Unidos nas últimas semanas, enquanto o custo de carvão e minério de ferro subiu cerca de 70 dólares, combinação que deve pressionar os produtores de aço nacionais.

Segundo Loureiro, no Sudeste, o preço do aço laminado a quente nacional está 13% a 14% mais alto que o similar importado. Essa diferença, chamada de "prêmio" pelo setor, chega a mais de 30% no Norte do país, afirmou.

O executivo afirmou que a principal entrada de aço importado no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC) tem cerca de 300 mil toneladas de aço plano aguardando nacionalização e ainda há "muito material chegando pelo o que vemos nos line-ups (programação de navios)".

A situação aliada a uma medida do governo nesta semana que antecipou o fim de redução de imposto de importação de 12 produtos de aço, incluindo bobinas a quente e a frio e chapas zincadas, deve gerar neste mês uma certa corrida para nacionalização do aço que ainda não foi internalizado, disse o presidente do Inda.

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A decisão de terça-feira passa a valer a partir de 1º de outubro, quando a taxa de importação voltará a ser de 9,6% a 12,8%, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

ESTOQUES

Com a manutenção da tendência de alta nas importações e preços internacionais apontando para baixo, compradores de aço tem segurado aquisição de material para a última hora, o que tem mantido estoques controlados na distribuição.

Em agosto, segundo os dados do Inda, os inventários de aço plano dos distribuidores somavam 843,9 mil toneladas, praticamente estável ante julho.

Mas a preocupação fica sobre os segmento de galvalumes, comumente usado em coberturas, tetos, telhas e revestimentos externos, disse Loureiro. A importação em agosto foi de quase 70 mil toneladas ante 41,5 mil em 2022. "Grandes distribuidores de galvalumes estão com estoques elevados", afirmou o executivo.

"Hoje, a maioria (dos distribuidores) está muito preocupada em não deixar estoque subir por causa da tendência de queda nos preços...De repente, você pode estar vendendo por um preço abaixo do valor que comprou um mês antes", disse o presidente do Inda.

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"Se continuar desse jeito, (as usinas nacionais) vão ter que eventualmente reduzir os preços. Até o momento, elas não pediram água e estão na luta", acrescentou.

Sinalizando o desequilíbrio das importações, as vendas dos distribuidores de aços planos em agosto, segundo o Inda, subiram 10,7% ante julho e 2,5% sobre um antes, para 343,4 mil toneladas.

Já as vendas de aços planos pelas siderúrgicas nacionais no Brasil caíram 7,7% no mês passado sobre um ano antes, para 962 mil toneladas.

"O nosso crescimento (dos distribuidores) está muito em cima dessa situação volátil de preços. Isso faz com que o consumidor final comece a perceber", disse Loureiro, comentando sobre a diferença no tempo entre o pedido e a entrega nas usinas (cerca de três meses) e nos distribuidores (entre 3 e 5 dias).

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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