BC do Japão mantém política monetária ultrafrouxa

Por Leika Kihara e Tetsushi Kajimoto

TÓQUIO (Reuters) - O Banco do Japão manteve a taxa de juros ultrabaixa nesta sexta-feira e sua promessa de continuar apoiando a economia até que a inflação atinja de forma sustentável sua meta de 2%, sugerindo que não tem pressa em abandonar seu programa de estímulo.

A decisão do banco central japonês contrasta com a das autoridades monetária dos EUA e da Europa, que, em reuniões recentes, sinalizaram sua determinação de manter os custos dos empréstimos elevados para controlar a inflação.

O presidente Kazuo Ueda disse que as empresas japonesas estão aumentando os preços mais do que o esperado, impedindo a desaceleração da inflação, o que sugere que as condições para a redução do apoio monetário estão gradualmente se consolidando.

Mas ele enfatizou a necessidade de passar mais tempo avaliando os dados, especialmente os salários e os preços dos serviços, antes de aumentar a taxa de juros.

"Ainda temos que prever que a inflação atingirá nossa meta de preços de forma estável e sustentável. É por isso que devemos manter pacientemente a política monetária ultrafrouxa", disse Ueda em uma coletiva de imprensa após a decisão.

"Dito isso, é claro que mudaremos a política monetária se for previsto o cumprimento de nossa meta."

Como amplamente esperado, o Banco do Japão manteve sua meta para a taxa de juros de curto prazo de -0,1% e a meta para o rendimento dos títulos de 10 anos em torno de 0% em uma reunião de dois dias que terminou nesta sexta-feira.

Também deixou inalterada uma banda de tolerância de 50 pontos-base para cada lado da meta de rendimento, bem como um novo limite de 1,0% adotado em julho.

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O banco central não fez nenhuma alteração em sua orientação futura, mantendo a promessa de "tomar medidas adicionais de flexibilização sem hesitação", se necessário - linguagem que alguns participantes do mercado pensaram que poderia ser alterada para assumir um tom mais neutro.

Os mercados estão repletos de especulações de que o Banco do Japão encerrará em breve as taxas negativas e seu teto de rendimento, já que as taxas ultrabaixas do Japão são criticadas por enfraquecer o iene e aumentar os custos de importação.

Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que o núcleo da inflação japonesa atingiu 3,1% em agosto, ficando acima da meta de 2% do banco central pelo 17º mês consecutivo, em um sinal de ampliação das pressões sobre os preços na terceira maior economia do mundo.

No entanto, os autoridades de política monetária do banco central têm afirmado que a inflação pode ser transitória devido a fatores como os preços globais do petróleo, e não refletir uma sólida recuperação na atividade econômica.

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