Presidente do Paraguai interromperá negociações Mercosul-UE se não houver acordo até dezembro

ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse nesta segunda-feira que interromperá as negociações entre o Mercosul e a União Europeia se as partes não chegarem a um acordo antes de 6 de dezembro, quando o Brasil entregará a presidência do bloco sul-americano ao seu país.

Peña tem criticado o progresso das negociações desde antes de assumir o cargo. Em uma entrevista à Reuters uma semana antes de sua posse, ele disse que a UE demonstrou com suas propostas que não tem interesse claro em avançar.

Após retornar de sua primeira viagem oficial aos Estados Unidos, onde participou da Assembleia Geral das Nações Unidas, Peña garantiu ter transmitido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem teve uma reunião bilateral, sua intenção de buscar outros acordos.

"Eu disse ao presidente Lula para encerrar as negociações porque, se ele não encerrar, eu não vou continuar no próximo semestre", declarou Peña em uma entrevista coletiva.

"Vou dedicar o próximo semestre a fechar acordos com outras regiões do mundo com quem, tenho certeza, vamos chegar a um acordo muito rapidamente (...) caso de Cingapura e dos Emirados Árabes Unidos", acrescentou.

Lula tem afirmado que espera concluir este ano as negociações sobre o acordo, que estão suspensas desde 2019 devido, em grande parte, a preocupações ambientais europeias.

Em meados de setembro, o Mercosul apresentou uma contraproposta a um adendo ambiental apresentado pela União Europeia, que Peña chamou de "inaceitável" por acreditar que restringe a capacidade de desenvolvimento de países como o seu.

"O Paraguai tem uma vocação muito forte de integração (...) mas nesse acordo comercial não é mais uma discussão técnica, é uma decisão política e isso não está mais do lado do Mercosul, mas do lado da União Europeia", disse Peña.

Nesta segunda-feira, Lula afirmou que o Vietnã havia expressado seu interesse em chegar a um acordo comercial com o Mercosul, formado também por Argentina e Uruguai, e que apresentaria a questão para ser discutida pelos parceiros sul-americanos.

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(Reportagem de Daniela Desantis)

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