Weg ampliará presença global com aquisição de ativos da Regal Rexnord

SÃO PAULO (Reuters) - A Weg vai acelerar seu processo de internacionalização com a aquisição de operações da norte-americana Regal Rexnord, a maior compra de ativos já realizada na história da companhia brasileira, afirmaram executivos nesta segunda-feira.

A empresa vai expandir negócios nos Estados Unidos, China e Índia, mercado onde ingressou com uma fábrica no ano passado, sem sofrer com sobreposição significativa de clientes, afirmou o diretor superintendente da divisão Weg Motores, Alberto Kuba, em conferência com analistas.

Além disso, a empresa brasileira não precisará fazer investimentos de curto prazo para expansão de capacidade dos ativos adquiridos uma vez que operam hoje, em média com um nível de ociosidade de 50%, afirmou o executivo.

A Weg anunciou mais cedo a compra de 10 fábricas em sete países (Estados Unidos, México, China, Índia, Itália, Holanda e Canadá), além de filiais comerciais em 11 mercados, da Regal Rexnord por cerca de 400 milhões de dólares. A expectativa é que a transação seja concluída no primeiro trimestre de 2024, quando a Weg fará o pagamento aos vendedores.

A aquisição vai ampliar a base de pessoal da Weg em cerca de 2.800 funcionários, afirmou Kuba, evitando comentar sobre eventuais processos de demissão após a conclusão da operação.

A empresa também vai manter as marcas Marathon, Cemp e Roto, adquiridas da Regal Rexnord. "Vamos manter porque estamos adquirindo marcas muito tradicionais", disse Kuba.

As ações da Weg lideravam as altas do Ibovespa nesta segunda-feira, avançando cerca de 5% às 12h40.

Analistas do Safra afirmaram que o negócio traz repercussões positivas para a Weg. "Ao incorporar marcas reconhecidas e linha de produtos complementares, a companhia incentiva sua expansão internacional enquanto mantém um crescimento contínuo e sustentável", afirmaram.

Já a equipe do Goldman Sachs considerou o negócio como uma "notícia positiva estrategicamente, uma vez que pode fazer a Weg expandir sua exposição a mercados com moedas fortes, diversificar seu portfólio de vendas e proteger a companhia da volatilidade macroeconômica do Brasil".

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Kuba afirmou que a Weg vai ter na Índia, após a conclusão da operação, portfólio completo de motores. "É o mercado de maior crescimento hoje no mundo... Acabamos de chegar lá e até agora estamos apenas com motor de uso geral", disse o executivo. Ele afirmou que a Weg já está ocupando plenamente a capacidade de sua fábrica própria no país e que os novos ativos permitirão que a empresa "escale as operações no mercado doméstico".

Já nos EUA, a Weg vai poder reforçar participação no mercado local, ingressando em produtos especiais. "Levaria muitos anos para desenvolvermos pois são produtos muito focados para o mercado doméstico", afirmou Kuba.

Na Europa, a Weg vai acessar clientes dos setores marítimo e de óleo e gás que precisam de produtos que "dependem de muita homologação local", acrescentou.

Enquanto isso, em geradores, a aquisição dos ativos da Regal Rexnord vai catapultar a Weg para um "novo patamar principalmente nos mercados norte-americano e chinês", disse João Paulo da Silva, diretor superintendente da Weg Energia, sem dar detalhes sobre participação. O executivo, porém, afirmou que a aquisição vai permitir à Weg entrar no mercado OEM, de fabricantes de equipamentos de marcas reconhecidas como Caterpillar.

"Vai ser um 'game changer' para geradores, pois vamos passar a ser um grupo importante no mundo", disse Silva.

Questionado sobre margens das operações adquiridas, o diretor superintendente administrativo financeiro da Weg, André Rodrigues, afirmou que a intenção da companhia é levá-las para os mesmos níveis que a empresa já possui em cada mercado. Rodrigues não citou números.

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Segundo a Weg, no ano passado, os ativos comprados da Regal Rexnord tiveram margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de 9,5%. Em 2022, a margem da Weg foi 18,8%.

Rodrigues mencionou, porém, que a Weg entende que parte dos eventuais ganhos de margens obtidos com os novos negócios "não vai ser sustentável" no curto prazo, mas não deu detalhes.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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