Copom tem sido corajoso ao explicitar debates do colegiado, diz Galípolo

BRASÍLIA (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) tem sido corajoso em seus comunicados ao explicitar os debates ocorridos no colegiado, disse nesta terça-feira o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, após ata de sua mais recente reunião mostrar divergência entre diretores na percepção sobre a dinâmica inflacionária.

"O Copom tem sido corajoso, em seus comunicados e nas atas, em explicitar de maneira bastante pormenorizada e detalhada quais têm sido os debates que têm ocorrido no Copom. Isso é saudável porque dá transparência”, disse.

Segundo ele, o que é debatido no Copom tem natureza técnica e são temas que também estão em discussão pelo mercado.

Em ata publicada nesta terça, o BC defendeu uma "atuação firme" para baixar a inflação, mostrando preocupação com as expectativas de mercado para os níveis de preços, além de apontar divergência entre diretores da autoridade monetária em relação à dinâmica de preços, principalmente no setor de serviços.

Segundo o documento, alguns diretores enfatizaram a dinâmica benigna de preços e a queda da inflação de serviços, enquanto outros ressaltaram que ainda não é possível extrapolar com convicção o comportamento positivo recente diante de fatores como a resiliência da atividade e do mercado de trabalho.

INFLAÇÃO

Na apresentação, Galípolo afirmou que o resultado do IPCA-15 de setembro veio com número geral "surpreendendo positivamente", e citou comportamento positivo recente em serviços, apesar de alguma surpresa em dados do mês.

"A gente vê uma desinflação em alimentos, a gente vê industriais também com bom comportamento. Mesmo serviços, que a gente teve um pouquinho de surpresa nesse IPCA-15 em alguns indicadores que costumam ser mais voláteis mesmo, mas na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) a gente tinha inclusive serviços subjacentes dando uma surpresa positiva", disse em evento do banco Safra.

O IPCA-15 acelerou a alta em setembro diante da pressão do aumento dos preços da gasolina, e a taxa em 12 meses chegou a 5,0% em meio ao processo de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central.

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Em relação aos preços administrados, o diretor afirmou que mesmo tendo vindo mais altos no mês, o dado era em parte esperado por conta da comparação estatística que vai deixando de incorporar desonerações de combustíveis feitas ao longo do período eleitoral de 2022. Ele citou ainda reajuste de preços feito pela Petrobras antes do que era esperado pelo mercado.

"Para a gestão da inflação, é uma sinalização positiva para o horizonte relevante, dado que a gente está olhando para frente", disse.

O diretor afirmou que o Brasil tem registrado revisões positivas das projeções de mercado para inflação e crescimento econômico, destacando que pode haver um indicativo de que o país é capaz de crescer mais com menos pressão sobre os níveis de preços.

Galípolo disse ainda que a ata do Copom destacou que dois dos principais pontos no cenário internacional são o real "que enfraqueceu um pouquinho" e a alta no preço do petróleo.

Em relação à política de câmbio, ele voltou a dizer que o BC tem observado os efeitos do ciclo de juros e prefere manter inalterada a política cambial para que não haja interferência em suas análises.

(Por Bernardo Caram)

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