Setor siderúrgico cita "emergência" e cobra imposto de importação de 25%

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 26 Set (Reuters) - A indústria siderúrgica brasileira cobrou nesta terça-feira do governo federal medidas de proteção contra o que vem chamando de "inundação" de aço chinês, e defendeu a criação de uma alíquota temporária de imposto de importação de 25% sobre o material.

"Isso é uma emergência que está recaindo sobre um setor que investe e não pode continuar a ficar vulnerável", disse o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a jornalistas.

Mais cedo, o presidente do conselho da entidade e presidente da ArcelorMittal Brasil, Jefferson De Paula, afirmou que o setor siderúrgico brasileiro está operando com um nível de ociosidade de 40%.

As importações de aço pelo Brasil de janeiro ao final de agosto cresceram 49,5% sobre um ano antes, para 3,18 milhões de toneladas, com China e Rússia entre as principais origens, segundo dados da entidade. Apenas em agosto, as importações de aço pelo Brasil atingiram o maior patamar desde julho de 2021, a 495,7 mil toneladas, avanço de 55,6% sobre o mesmo período de 2022, afirmou o Aço Brasil na semana passada.

A expectativa da entidade para as vendas de aço no Brasil é de queda de 6% este ano e a projeção para a produção é de recuo de 5%.

"Se continuar entrando nesse nível (importações de aço), certamente muitas siderúrgicas vão ter de parar planta... Isso gera desemprego... e isso para os investimentos", disse De Paula.

O executivo afirmou mais cedo durante congresso do Aço Brasil que o setor programa investimentos de cerca de 63 bilhões de reais para os próximos quatro anos.

Há uma semana, o governo federal anunciou que decidiu antecipar para 1º de outubro o fim da redução de 10% da tarifa de importação de 12 produtos de aço que começou a vigorar em 2022 e estava prevista para ser revertida em 31 de dezembro.

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Mas, segundo Lopes, a medida, que vinha sendo cobrada pelo setor desde pelo menos o início do ano, "não é mais suficiente" e atualmente é "inócua".

Também na semana passada, o presidente da entidade representativa dos distribuidores de aços planos, Inda, Carlos Loureiro afirmou que as importações de aço em setembro provavelmente serão iguais ou maiores que as de agosto. Segundo ele, a principal entrada de aço importado no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC), tem cerca de 300 mil toneladas de aço plano aguardando nacionalização e ainda há "muito material chegando".

AMEAÇA?

Presente de forma online no congresso, o presidente-executivo da ArcelorMittal, Aditya Mittal, citou que os países devem "garantir um comércio justo", mas que o risco representado pelas exportações da China nos próximos anos "é menor do que há 10 anos".

Segundo o executivo, isso ocorre diante da forte ênfase da China em controlar suas emissões de poluentes, o que deve ajudar a limitar o crescimento de capacidade de produção de aço do país. Mittal comentou ainda que o governo da China "não está necessariamente apoiando as exportações" de aço do país, e citou ainda as inúmeras ações comerciais contra o país asiático nos últimos anos que também têm limitado as exportações chinesas da liga.

"Não vejo a China como um problema tão grave quanto há 10 anos", afirmou Mittal.

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O executivo afirmou também que a demanda por aço no mundo deve crescer para 2,5 bilhões de toneladas até 2050, ante 1,9 bilhão de toneladas atualmente.

Além das críticas contra o nível de importações brasileiras de aço, De Paula, presidente do conselho do Aço Brasil, disse que o atual nível de juros é um fator restritivo ao consumo da liga no país.

"Os juros são hoje o principal impeditivo para o crescimento deste país de forma sustentável", disse De Paula.

(Por Alberto Alerigi Jr., edição de Pedro Fonseca)

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