Ibovespa melhora nos ajustes e termina no azul apoiado em Petrobras

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa ganhou algum fôlego nos ajustes de fechamento e terminou a quarta-feira no azul, apoiado principalmente no desempenho robusto da Petrobras, em dia de forte avanço dos preços do petróleo no exterior, com outras petrolíferas também destacando-se na coluna positiva.

Na segunda etapa do dia, porém, o Ibovespa ameaçou registrar o quinto pregão seguido de queda, acompanhando certa cautela em Wall Street, conforme os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir e agentes financeiros continuavam apreensivos com a chance de uma paralisação parcial do governo dos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,12%, a 114.327,05 pontos. Na máxima do dia, chegou a subir a 115.340,41 pontos. Na mínima, recuou a 113.365,75 pontos. O volume financeiro somou 22,8 bilhões reais.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou praticamente estável, após trocar de sinal mais de uma vez durante o pregão.

O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, o republicano Kevin McCarthy, rejeitou nesta quarta-feira um projeto de lei provisória de financiamento que avançava no Senado, aproximando Washington de sua quarta paralisação parcial do governo dos EUA em uma década.

De acordo com o analista da Terra Investimentos Luis Novaes, essa questão (da paralisação nos EUA) tem adicionado prêmio na curva de juros norte-americana, uma vez que acaba gerando uma percepção maior de risco no investidor, que vai procurar ativos mais seguros.

O movimento na curva dos EUA acaba reverberando nas taxas dos contratos de DI, o que afeta principalmente papéis sensíveis a juros, com queda nos índices de consumo e do setor imobiliário na B3. Mas o índice do setor elétrico também experimentou declínio relevante nesta sessão.

Para Novaes, a performance ainda fragilizada da bolsa paulista nesta sessão é uma extensão do movimento recente, principalmente as sinalizações da última semana, quando o Federal Reserve indicou mais uma alta de juros nos EUA neste ano, bem como a manutenção do patamar restritivo por mais tempo.

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"O movimento da curva dos juros americanos demonstra que o mercado não esperava a postura dura do Fed", afirmou.

Ao mesmo tempo, acrescentou, a comunicação do Banco Central brasileiro foi muito direta quanto ao ritmo a ser adotado no ciclo de baixa da taxa, atualmente em 12,75% ao ano, desestimulando as apostas em um corte maior em dezembro.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 3,17%, a 34,52 reais. Os preços do petróleo no exterior avançavam mais de 2 dólares o barril, com as atenções voltadas para o aperto da oferta rumo ao inverno no hemisfério norte e a uma desaceleração suave da economia dos Estados Unidos. O Brent terminou negociado a 96,55 dólares o barril, em alta de 2,79%.

- CASAS BAHIA ON caiu 5,00%, a 0,57 real, após anúncio da varejista de que seu vice-presidente comercial e de operações, Abel Vieira, apresentou pedido de renúncia. Em setembro, as ações acumulam queda de 48,7%. No setor, MAGAZINE LUIZA ON caiu 2,86%, a 2,04 reais.

- VALE ON avançou 0,21%, a 65,70 reais. Os futuros do minério de ferro na Ásia se recuperaram nesta quarta-feira, com dados melhores do que o esperado sobre lucros industriais na China, embora os ganhos tenham sido limitados pelas preocupações com a demanda em meio à fraqueza persistente no mercado imobiliário do país. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange da China encerrou o dia com alta de 0,59%.

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- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,19%, a 26,55 reais, e BRADESCO PN cedeu 0,29%, a 13,92 reais. O Banco Central divulgou mais cedo que as concessões de empréstimos no país aumentaram 9,4% em agosto ante julho, com o estoque total de crédito avançando 1,1% no período, a 5,524 trilhões de reais. A inadimplência em recursos livres permaneceu em 4,9%.

- GOL PN valorizou-se 7,19%, a 6,56 reais. A companhia aérea anunciou nesta quarta-feira que concluiu refinanciamento de 1 bilhão de reais em debêntures de sua unidade operacional Gol Linhas Aéreas SA, conhecida como GLA. Do valor, cerca de 900 milhões de reais serão amortizados em 30 parcelas entre janeiro de 2024 e junho de 2026. Outros 100 milhões serão pagos ainda neste mês.

- COPEL PNB perdeu 2,90%, a 8,72 reais, com outros papéis do setor elétrico também na coluna negativa, incluindo ELETROBRAS PNB, que caiu 2,28%, a 38,62 reais.

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