Neoenergia e Comerc se unem para investir R$500 mi em geração solar distribuída

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) - A Neoenergia e o grupo Comerc Energia criaram uma parceria para investir 500 milhões de reais em geração de energia distribuída solar, em movimento que marca a primeira grande aposta da elétrica para oferecer um serviço cada vez mais popular no Brasil a clientes residenciais, comerciais e rurais de suas distribuidoras.

O negócio entre as empresas prevê a construção de 30 usinas de pequeno porte de geração fotovoltaica que vão ofertar energia solar "por assinatura" em quatro Estados e Distrito Federal, com potencial para alcançar 50 mil clientes, disse à Reuters um executivo da Comerc.

"Em um primeiro momento, temos já confirmado a implantação de plantas de geração distribuída em Pernambuco, Distrito Federal e Bahia", afirmou Matheus Nogueira, vice-presidente de geração distribuída da Comerc, observando que essas são áreas atendidas por concessionárias de distribuição da Neoenergia.

Em uma próxima etapa, a parceria deve se expandir para outras localidades onde a Neoenergia também atua, como Rio Grande do Norte (distribuidora Cosern) e São Paulo (distribuidora Elektro).

Com a entrada em operação dessas usinas, a partir do fim de 2024, clientes dessas concessionárias poderão ter acesso à "energia solar por assinatura", modalidade que dispensa a instalação de painéis solares no local de consumo e outros investimentos por parte do consumidor.

Após contratar o serviço, o consumidor passa a estar vinculado a uma usina solar remota, recebendo créditos por essa geração que reduzem o valor final de sua conta de luz.

O aporte total de 500 milhões de reais para o desenvolvimento da carteira de usinas solares, cuja potência total não foi divulgada, será dividido igualmente entre as duas empresas, que criarão uma holding de controle compartilhado.

A Comerc, que é co-controlada pela Vibra Energia, ficará responsável pela implantação das usinas e gestão das operações, enquanto a captação de clientes será feita pelas duas parcerias, aproveitando a marca já conhecida das distribuidoras da Neoenergia nos Estados.

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"Essa combinação é muito poderosa, porque de um lado você tem um player que tem capacidade de execução comprovada, e de outro lado uma marca muito reconhecida dentro de áreas de concessão que já são dessa empresa", ressaltou Nogueira.

O negócio representa um importante passo para a Neoenergia em um segmento que cresce aceleradamente no Brasil e no qual a companhia tinha uma presença tímida até então, atuando por meio de sua vertente de serviços liberalizados.

Grandes grupos do setor elétrico, especialmente de distribuição de energia, vêm apostando na "GD" diante dos retornos ainda atrativos da modalidade e como uma forma de recuperar mercado perdido para os consumidores que, ao gerar sua própria energia, passam a consumir menos da rede.

Empresas como Cemig, Enel e Energisa têm empresas específicas para atuar na geração distribuída, atendendo desde clientes residenciais a consumidores de maior porte, como redes de varejo e outros. Recentemente, a portuguesa EDP anunciou aportes de 2,3 bilhões de reais no segmento no Brasil até 2026, prevendo alcançar 530 megawatts-pico (MWp) em potência.

Já para a Comerc, a parceria vem se somar a um programa próprio de investimentos em geração distribuída que busca uma carteira total de 340 MWp em usinas operacionais até meados de 2024.

(Por Letícia Fucuchima)

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