Taxas futuras de juros têm alta firme sob influência do exterior

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros voltaram a registrar forte alta nesta quarta-feira no Brasil, dando continuidade ao movimento mais recente vindo do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançam em reação à perspectiva de uma política monetária ainda mais apertada nos EUA.

Desde o dia 20, quando o Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa básica na faixa de 5,25% a 5,50%, mas projetou novo aumento de juros até o fim de 2023 e uma política monetária mais apertada do que a prevista anteriormente durante 2024, a curva a termo americana está subindo, com reflexos no Brasil.

Na manhã desta quarta-feira, havia expectativa por certa acomodação das taxas futuras no Brasil, mas elas voltaram a subir novamente, em sintonia com o exterior.

Nos EUA, chamaram atenção declarações do presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, de que ainda não está claro se o banco central já terminou de aumentar os juros. Em entrevista à CNBC, Kashkari afirmou que ainda não está pronto para dizer que a taxa de juros foi elevada o suficiente para que a inflação norte-americana volte à meta de 2%.

De acordo com um profissional ouvido pela Reuters, além da influência vinda do exterior, as taxas no Brasil avançavam por fatores técnicos. Com a alta, foram disparadas ordens de stop loss (parada de perdas), intensificando o movimento.

Isso foi perceptível também no mercado de câmbio, onde a alta do dólar ante o real foi amplificada por ordens de stop.

Internamente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participou de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Aos parlamentares, ele afirmou que o governo tem lidado com o problema fiscal e a tendência é que esse risco melhore "bastante" à frente.

Para Campos Neto, mesmo que as metas fiscais estabelecidas no arcabouço fiscal não sejam cumpridas “exatamente”, os agentes de mercado vão observar o esforço feito nesse sentido. As declarações de Campos Neto não impactaram de forma decisiva a curva de juros.

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No mercado financeiro, porém, uma das dúvidas é justamente se o governo será capaz de entregar um resultado primário zero em 2024, como prometido. A desconfiança quando a isso, na visão de alguns profissionais, têm favorecido a alta mais recente do dólar ante o real e ajudado a sustentar o avanço dos juros futuros.

Perto do fechamento desta quarta-feira, a curva a termo precificava em apenas 2% as chances de o corte da taxa básica Selic em novembro ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 98%.

No fim da tarde no Brasil a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,28%, ante 12,257% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,895%, ante 10,708% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,785%, ante 10,516%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,05%, ante 10,794%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,345%, ante 10,131%.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta.

Às 16:50 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6,00 pontos-base, a 4,6178%.

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