Gerdau tem otimismo sobre imposto de importação de 25% sobre aço, diz presidente

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente-executivo da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou nesta quinta-feira que tem otimismo de que o governo federal vai adotar tarifa de 25% de Imposto de Importação sobre o aço, diante do que chamou de concorrência "predatória" da China.

"Estamos otimistas que o governo brasileiro vai tomar essa medida... A medida anterior é um passo pequeno, mas é um símbolo de que o tema virou questão urgente em Brasília", afirmou Werneck durante conferência para investidores e analistas.

O executivo se referiu ao anúncio da semana passada em que o governo federal decidiu antecipar para 1º de outubro o fim da redução de 10% da tarifa de importação sobre 12 produtos de aço, que começou a vigorar em 2022 e estava prevista para ser revertida em 31 de dezembro.

Werneck afirmou que visitou a China em 2019 e verificou esforços para fechamentos de capacidade, mas que atualmente ele "não acredita mais nisso". "Estou muito convencido de que a China vai continuar exportando aço e não vai fechar capacidade para equacionar a questão de oferta e demanda. É imperial que todos os países coloquem algum tipo de defesa comercial."

Nesta semana, a Aço Brasil, associação que representa siderúrgicas instaladas no Brasil, afirmou que o excesso de capacidade produtiva da liga na China está em 200 milhões de toneladas. Em 2016, segundo dados citados pela mesma entidade na época, o quadro de excesso de oferta do país asiático era de 400 milhões.

GREVE NOS EUA

Questionado por analistas sobre os impactos de uma greve de trabalhadores prolongada nas montadoras de veículos dos Estados Unidos, o presidente da divisão de aços especiais da Gerdau na América do Norte, Rodrigo Belloc, afirmou que em setembro a companhia ainda não registrou efeitos significativos da paralisação. A divisão, uma das mais rentáveis da Gerdau, tem como principais clientes empresas do setor automotivo.

Metalúrgicos ligados ao sindicato UAW que trabalham em fábricas de Ford, Stellantis e General Motors nos Estados Unidos iniciaram paralisações em 15 de setembro, na primeira greve simultânea contra as "Três Grandes de Detroit". O UAW deve decidir na sexta-feira se ampliará a paralisação em meio às negociações por reajuste salarial.

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"Estamos fechando o mês de setembro agora e não estamos vendo impactos nos embarques (de aço), mas se a greve perdurar, poderemos ter algum impacto no último trimestre", disse Belloc.

O executivo afirmou que as três montadoras têm perdido participação no mercado automotivo nos últimos anos enquanto rivais asiáticos têm ganhado. "Temos exposição crescente a outras montadoras como Honda e Nissan, basicamente os japoneses e coreanos", afirmou o Belloc.

"Qualquer volume que por ventura seja impactado no final do ano, vai gerar volume adicional a ser recuperado no início do próximo", acrescentou.

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