Venda de diesel no Brasil supera 6 bi litros pela 1ª vez em agosto

Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vendas de óleo diesel por distribuidoras no Brasil cresceram 7% em agosto ante o mesmo período de 2022, ultrapassando pela primeira vez a marca de 6 bilhões de litros em um mês, apontaram dados da reguladora ANP, em meio a uma forte demanda das atividades agrícolas no país, que apresentam neste ano grandes safras como de soja e milho.

As distribuidoras venderam em agosto 6,216 bilhões de litros de diesel, versus 5,811 bilhões de litros no mesmo mês de 2022, mostraram os dados, publicados na véspera.

"Isso é reflexo de atividades econômicas bem fortes, principalmente pelo lado do agro... com foco na safra de soja, milho e até mesmo a safra de cana, está muito forte, e isso acaba incentivando demais a demanda por diesel no Brasil", disse Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado para Petróleo da StoneX.

O consumo de diesel no Brasil tem grande correlação com atividades agrícolas, diante da necessidade do combustível tanto para máquinas e equipamentos quanto para o escoamento da produção para portos e unidades de consumo.

No ano, as vendas do combustível fóssil acumularam alta de 3,1% até o oitavo mês, somando cerca de 43,136 bilhões de litros, também um recorde para o período.

Cordeiro destacou que o terceiro trimestre é um período de consumo de diesel mais forte, então a perspectiva é que as vendas continuem aquecidas nesse período.

Segundo ele, o Brasil deve bater recorde de vendas de diesel neste ano, superando 2022.

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As vendas de etanol hidratado por distribuidoras no Brasil cresceram mais de 13% em agosto ante o mesmo mês do ano passado, em sua primeira alta anual desde janeiro, frente a um avanço da competitividade do biocombustível ante a gasolina nas bombas, apontaram dados da reguladora ANP.

As distribuidoras venderam em agosto 1,399 bilhão de litros de etanol hidratado, ante 1,233 bilhão de litros no mesmo mês de 2022, mostraram os dados.

Cordeiro destacou que a paridade entre gasolina C e etanol hidratado no Estado de São Paulo está próxima a 62%, o que beneficia muito o consumo do biocombustível.

"É um cenário completamente diferente do que a gente viu no primeiro semestre, onde em todos os meses... essa paridade no Estado de São Paulo operava acima de 70%, o que acabou beneficiando a demanda pelo fóssil", afirmou o especialista da StoneX.

Dessa forma, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, as vendas do biocombustível apresentam recuo de 6%, somando 9,5 bilhões de litros.

Mesmo assim, as vendas de gasolina também apresentaram avanço, somando 3,893 bilhões de litros em agosto, alta de 1,4% na comparação com o mesmo mês de 2022. Já no acumulado do ano, o combustível fóssil soma alta de 13,5%, a 30,826 bilhões de litros.

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