Taxas futuras de juros têm alta firme sob influência do exterior e Caged

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a segunda-feira com alta firme, em sintonia com o movimento dos títulos nos EUA e da Europa e após a divulgação de dados fortes de empregos formais em agosto no Brasil, que alimentaram a visão que a inflação ainda exige uma Selic em níveis elevados.

Pela manhã, os investidores globais reagiram ao acordo alcançado no Congresso dos EUA no sábado para aprovar um financiamento ao governo até 17 de novembro, evitando assim a paralisação parcial de serviços.

Uma das leituras no mercado foi a de que, com o acordo, alguns agentes reduziram a demanda por títulos dos EUA, o que colocou os rendimentos em alta antes da divulgação de números importantes sobre a economia norte-americana nesta semana.

Os números que saíram na manhã desta segunda-feira nos EUA alimentaram o viés de alta para os rendimentos dos títulos norte-americanos.

O Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informou que seu Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial aumentou para 49,0 no mês passado, a leitura mais alta desde novembro de 2022, de 47,6 em agosto. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice subiria para 47,7. Já o indicador de emprego nas fábricas da pesquisa subiu para 51,2 no mês passado, de 48,5 em agosto.

Os dados reforçaram a leitura de que, com a economia norte-americana mais forte, o Federal Reserve tende a manter os juros em patamares mais altos por mais tempo. Esta visão tem alimentado a alta dos rendimentos dos Treasuries nas últimas sessões e, nesta segunda-feira, voltou a influenciar nos negócios com títulos.

Na Europa, o rendimento dos títulos do governo alemão de 10 anos, referência da zona do euro, também subia. “O movimento é disseminado. As moedas de emergentes estão sofrendo (em relação ao dólar) e os juros estão superfortes, tanto lá fora quanto aqui no Brasil”, pontuou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado.

Durante a tarde, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reforçaram a tendência de alta para os juros futuros brasileiros. O país abriu 220.844 vagas formais de trabalho em agosto, conforme o Ministério do Trabalho e Previdência, em um resultado bem acima do esperado.

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A pesquisa da Reuters com economias previa a criação líquida de 178.000 empregos.

Por trás da aceleração da alta dos juros futuros estava a visão de que, com o mercado de trabalho aquecido, o Banco Central terá ainda menos espaço para acelerar o processo de cortes da taxa básica Selic, atualmente em 12,75% ao ano. Além disso, a taxa terminal para o atual ciclo de cortes pode não ser tão baixa quanto o originalmente projetado por algumas casas.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,25%, ante 12,243% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,015%, ante 10,835% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,81%, ante 10,576%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,015%, ante 10,802%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,295%, ante 11,1%.

Com o movimento desta segunda-feira, perto do fechamento a curva a termo precificava em 5% as chances de o corte da taxa básica Selic em novembro ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 95%.

No fim da tarde, as taxas dos Treasuries seguiam em alta firme.Às 16:53 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 11,40 pontos-base, a 4,6847%.

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