Polícia encontra corpos de suspeitos de execução por engano de médicos no Rio

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) -A polícia do Rio de Janeiro encontrou no fim da noite de quinta-feira quatro corpos de suspeitos de envolvimento com a execução por engano de três médicos na orla da cidade, disseram nesta sexta-feira autoridades, que prometeram seguir em frente com as investigações e ampliar o combate ao crime organizado por trás dos crimes.

Os corpos foram abandonados na zona oeste da capital fluminense, região que vive um conflito violento entre diferentes grupos de milicianos e traficantes de drogas que disputam territórios. De acordo com as investigações, eles teriam sido executados por ordem de um "tribunal do crime" por conta da morte dos médicos por engano em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, também na zona oeste, na noite de quarta-feira.

"Estávamos preparados para prender (os suspeitos) e fomos surpreendidos pelo pseudo ´tribunal do tráfico´ já ter punido. Mas a investigação não acaba, continua para chegar na guerra entre tráfico e milícia", disse a jornalistas o governador do Rio, Cláudio Castro, após se reunir com autoridades de segurança federais e estaduais.

"A punição ter chegado antes da polícia não muda nada. A polícia já estava na linha de investigação, já sabia qual era o carro, qual era a facção e tudo que tinha acontecido... Isso não muda nosso ímpeto e vamos achar agora quem cometeu esse segundo assassinato", acrescentou.

Segundo o governador, a polícia apreendeu telefones celulares dentro de presídios de suspeitos de envolvimento nos crimes. O objetivo agora é prender os responsáveis pela ordem para a execução dos médicos e também os autores e mandantes do assassinato dos suspeitos.

Os médicos estavam no Rio de Janeiro para participar de um congresso de ortopedia. Entre eles estava o irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cunhado do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), o que levou a Polícia Federal a ingressar no caso a pedido do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que apontou "hipótese de relação com a atuação de dois parlamentares federais" para a execução.

A possibilidade de o triplo homicídio ter ligação política foi descartada pelo governador, que também dispensou a ajuda da Polícia de São Paulo mediante o avanço das investigações.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli, que se encontrou com Castro, prometeu maior apoio das forças federais no combate permanente ao crime no Estado do Rio.

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“Nós viemos para apoiar o Rio contra esse crime inaceitável que afronta o estado democrático de direito. Não há outro caminho. A sociedade, os Poderes, têm de dar as mãos e impor caminho sem que haja ideologização. É um desafio do país", disse.

(Edição de Pedro Fonseca)

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