Taxas futuras de juros no Brasil disparam após dados de emprego nos EUA, mas perdem força e terminam em queda

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros chegaram a subir mais de 30 pontos-base nesta sexta-feira em alguns vencimentos, após a divulgação de dados positivos sobre o mercado de trabalho nos EUA, mas o movimento perdeu força ao longo do dia e a curva a termo brasileira terminou a sessão em queda.

Na abertura dos negócios, a expectativa dos investidores girava em torno dos dados do relatório payroll, com as vagas de emprego nos EUA. Imediatamente após a divulgação, ocorrida às 9h30, os rendimentos dos Treasuries tiveram fortes altas, puxando os juros futuros ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

Por trás do movimento estava a percepção de que, com a economia dos EUA resiliente, gerando empregos, o Federal Reserve tende a apertar sua política de juros para segurar a inflação.

O Departamento do Trabalho informou que a economia dos EUA abriu 336.000 vagas de emprego fora do setor agrícola em setembro. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 170.000 vagas -- praticamente metade do que foi verificado.

Além disso, os dados de agosto foram revisados para cima, mostrando 227.000 empregos criados, em vez dos 187.000 informados anteriormente.

No Brasil, houve forte alta das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) após a divulgação do payroll. A taxa dos contratos para janeiro de 2026 chegou a subir 32 pontos-base ante o ajuste da véspera, enquanto a taxa dos contratos para janeiro de 2027 avançou 30 pontos-base.

Em um momento posterior da sessão, no entanto, os rendimentos dos Treasuries desaceleraram, o que também se refletiu na perda de força dos juros futuros no Brasil.

“Sempre que sai o payroll, há uma reação muito forte de início e depois alguma correção”, pontuou o economista Rafael Pacheco, da Guide Investimentos. “A correção dos juros foi mais técnica: as taxas já subiram demais recentemente, então o mercado entende que não tem muito mais espaço para subir agora”, acrescentou.

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De fato, nas últimas semanas a curva a termo brasileira -- em sintonia com os Treasuries -- vinha subindo, em meio à perspectiva de que o Fed manterá os juros elevados por mais tempo nos EUA. Nesta semana, boa parte da alta já era uma antecipação aos dados do payroll.

“Aqui dentro, nossos juros já vinham subindo, numa escalada robusta. E agora parece que chegou em patamar que deixa de fazer um pouco de sentido, dado o processo desinflacionário que estamos passando”, disse João Piccioni, analista da Empiricus Research.

Assim, à tarde as taxas futuras migraram para o negativo no Brasil, ainda que os rendimentos dos Treasuries se mantivessem no positivo.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,244%, igual ao ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,96%, ante 10,981% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10,84%, ante 10,863%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,085%, ante 11,123%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,38%, ante 11,419%.

Com o movimento desta sexta-feira, perto do fechamento a curva a termo precificava em 98% as chances de o corte da Selic em novembro ser de 0,50 ponto percentual. Já as chances de corte de apenas 0,25 ponto percentual -- uma possibilidade surgida após o rali mais recente -- eram precificadas em 2%.

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Pela manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,45% em setembro, acelerando ante a alta de 0,05% em agosto e superando a expectativa da pesquisa da Reuters, de ganho de 0,31%.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em alta no fim da tarde.

Às 16:40 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6,80 pontos-base, a 4,7841%.

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