Morgan Stanley vê chance maior de IPOs no Brasil em 2024

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Ainda há tempo hábil para uma oferta inicial de ações no Brasil em 2023, mas a probabilidade maior é de que o mercado de IPOs no país se descongele no próximo ano, avalia o responsável pela área de mercado de capitais do Morgan Stanley na América Latina.

"É mais provável que (um IPO) ocorra apenas em 2024", afirmou Marcelo Lo Re em entrevista à Reuters, notando que a janela para essas operações "não está tão aberta como o observado no ciclo 2020/2021".

Naquele período, de acordo com os dados da B3, foram 27 ofertas iniciais em 2020 e 44 operações em 2021, incluindo as chamadas ofertas restritas e excluindo as emissões de BDRs de Aura, Nubank e G2D Invest.

O executivo reforçou que não se pode ainda descartar uma operação neste ano, porque, além do prazo possível, uma boa janela de mercado pode se materializar para que uma abertura de capital se concretize neste ano.

Não ocorreram IPOs ainda em 2023, mas as ofertas de ações subsequentes aceleraram no segundo trimestre e alcançavam até o final do mês passado 18 operações, incluindo empresas como Copel, BRF e Localiza.

Há algumas semanas, a 2W Ecobank informou que contratou bancos para avaliar um potencial IPO na B3. A companhia tentou avançar com um IPO em 2020, mas a transação não foi para a frente.

Na visão de Lo Re, o mercado parece saudável, olhando aspectos como os preços fixados nas operações, bem como a demanda e a primeira reação dos papéis pós ofertas. Mas, segundo ele, a dinâmica de avaliação de risco está diferente, "mais desafiadora em relação a outras classes de ativos".

Nas últimas semanas, preocupações com a possibilidade de um cenário de taxas de juros mais elevadas nos Estados Unidos por mais tempo do que se esperava pressionou o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano, minando o apetite a ações.

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O Ibovespa, que se aproximava dos 120 mil pontos em meados de setembro, chegou a trabalhar abaixo dos 112 mil pontos na semana passada. Na véspera, fechou em 116.736,95 pontos pouco afetado pelos acontecimentos recentes no Oriente Médio.

Para o executivo, é necessária a estabilização da curva de juros norte-americana para as ofertas de ações retomarem o fôlego. "É o 'preço' mais relevante da economia global" afirmou, referindo-se aos yields dos Treasuries.

Ele ressaltou, porém, que as conversas com as companhias e investidores envolvendo eventuais ofertas de ações - follow-ons e IPOs - não diminuíram neste momento, como ocorreu em outros períodos turbulentos no mercado.

"Não diminuiu agora", disse, citando ainda que há empresas de vários setores conversando. Lo Re, porém, preferiu não fazer previsões sobre quantidade de operações para o final deste ano e em 2024.

Na América Latina, ele ressaltou que Brasil e México tendem a responder pela maior parte das ofertas de ações no próximo ano, com o segundo se beneficiando principalmente do efeito de "nearshoring" e o primeiro da estabilização de discussões como o arcabouço fiscal e a reforma tributária, além da queda de juros.

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