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Dólar e juros aceleram queda com exterior e noticiário político

As vendas de dólares e de taxas de juros na BM&FBovespa ganharam ainda mais força no começo da tarde desta segunda-feira, em um movimento que surpreende inclusive operadores de mercado, acostumados à maior volatilidade nos preços.

O DI janeiro de 2021 bateu o menor nível em três meses, a inclinação da curva a termo recua ao menor patamar em quase três semanas, e o real é a moeda que mais sobe ante o dólar nesta sessão.

Segundo profissionais de mesas de operação de câmbio e juros, o ambiente externo positivo influencia diretamente os negócios hoje, mas as oscilações mais fortes aqui sugerem que é o noticiário político doméstico que está fazendo mais preço.

O mercado reage a um conjunto de notícias. Nesta segunda-feira, a Polícia Federal deflagrou a 23ª fase Lava-Jato, decretando a prisão temporária do marqueteiro João Santana, ligado ao PT. O marqueteiro trabalhou para o PT em diferentes ocasiões, incluindo campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. Os investigadores apuram pagamentos no valor de cerca de R$ 90 milhões que a Odebrecht teria feito a João Santana para a campanha petista em 2014, por meio de contas no exterior e não declarados no Brasil.

Além disso, as atenções se voltam para o senador e ex-líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS), que volta ao Senado nesta semana. O Valor confirmou ainda na sexta-feira que Delcídio fechou acordo de delação premiada. O mercado não descarta a possibilidade de Delcídio citar integrantes do governo e do PT em sua delação, o que tornaria a situação ainda mais difícil para o Palácio do Planalto.

Por fim, o noticiário envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um sítio em Atibaia (SP) também é visto como um revés ao governo.

Na leitura do mercado, qualquer aproximação das investigações da Lava-Jato ao governo pode aumentar as chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O mercado mostra ceticismo com a presidente, devido ao que participantes do mercado chamam de "experimentalismo" na política econômica, o que teria resultado em inflação fora da meta, desequilíbrio fiscal e recessão econômica.

A questão agora é quão sustentável é o movimento de queda do dólar e dos juros. De forma geral, profissionais do mercado têm mantido cautela em montar posições compradas em real e renda fixa, mas admitem que, caso o exterior siga positivo e o noticiário política continue desfavorável ao governo, é possível que os preços sofram um ajuste adicional.

Às 14h27, o dólar comercial caía 1,94%, para R$ 3,9444. Na mínima, a cotação recuou a R$ 3,9314 - menor patamar intradia desde 10 de fevereiro, quando chegou a marcar R$ 3,8775.

Com a forte queda de hoje, o dólar rompeu o suporte de R$ 3,9322, o que abre espaço para a moeda cair a R$ 3,8445, mínima de 4 de fevereiro.

No mercado futuro, o dólar para março recuava 2,02%, a R$ 3,954.

As ordens de venda também são intensas no mercado de juros. Operadores, contudo, não notam expressivo fluxo estrangeiro na parte longa da curva a termo - que registra as quedas mais fortes hoje.

O DI janeiro de 2021 caía a 15,410%, ante 15,750% no ajuste anterior, nas mínimas em cerca de três meses. O DI janeiro de 2017 recuava a 14,170%, frente a 14,235% no ajuste anterior.

Com isso, a inclinação da curva a termo - uma medida de risco - recua hoje a 1,24 ponto percentual. É o nível mais baixo desde 1º de fevereiro, considerando taxas de fechamento.

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